Dilma confirma que irá pessoalmente ao Senado para fazer defesa do impeachment

Será a primeira vez que presidente da República afastada falará a parlamentares sobre processo de impeachment no Congresso Nacional
Foto: Dida Sampaio/Agência Estado-16.08.2016
Dilma lê carta em que pediu aos senadores para não cometerem a injustiça de retirá-la do cargo, no Palácio da Alvorada

Um dia após ler seu apelo final  sobre o processo de impeachment, direcionado "aos senadores e ao povo brasileiro", a presidente afastada Dilma Rousseff anunciou que irá ao Senado pessoalmente para fazer a sua defesa. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da petista.

De acordo com seus representantes, Dilma já começou a redigir o pronunciamento que fará no Senado, com a opção de apenas discursar e se retirar da sessão posteriormente. O julgamento final do impeachment começa no próximo dia 25 de agosto. A presidente afastada deve se manifestar após todas as testemunhas de defesa e acusação.

Foto: Nelson Antoine/Framephoto/Estadão Conteúdo - 8.7.16
Petista participa de ato após ter sido afastada da Presidência: ela perdeu forças desde que deixou Palácio do Planalto

Será a primeira vez desde o início do processo que confirmou a ida da petista a julgamento final que ela comparecerá ao Congresso Nacional para se pronunciar. Apesar dos convites, a presidente afastada não compareceu nem às comissões especiais que votaram os relatórios que pediam o impeachment nem aos plenários da Câmara e do Senado, responsáveis por ratificar a aprovação dos textos.

Carta

Na véspera da confirmação de seu comparecimento ao Senado, a petista leu publicamente no Palácio da Alvorada a carta, na qual defendeu a convocação de um plebiscito para encurtar o seu mandato e antecipar as eleições de 2018. No documento, ela também pregou um pacto pela unidade nacional, disse que sua deposição seria um "inequívoco golpe" e se definiu como "honesta e inocente".

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado - 04.08.16
O ex-ministro e advogado de defesa, José Eduardo Cardozo: tentativas fracassadas de anular processo de impeachment

"Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo 'conjunto da obra' [...]", discursou a petista. "O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta."

A presidente afastada concluiu a mensagem relembrando seu passado de luta contra a ditadura militar no País (1964-1985), período em que chegou a ser presa e torturada . E disse ter esperança de ser absolvida pelo Senado.

"Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente", afirmou Dilma. "A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter de resistir à fraude e à mais infame injustiça. Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes presidenta. Quem deve decidir o futuro do país é o nosso povo. A democracia deve vencer."

* Com informações do Estadão Conteúdo 

O dia em que Dilma deixou o Palácio do Planalto: 


Link deste artigo: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-08-17/dilma-pessoalmente-julgamento.html