Governistas desqualificaram atitude da presidente afastada, enquanto petistas acreditam que o apelo de Dilma pode reverter o impeachment

Estadão Conteúdo

Em pronunciamento, Dilma enfatizou que seu retorno à presidência significará
Renato Costa/Estadão conteúdo - 16.08.2016
Em pronunciamento, Dilma enfatizou que seu retorno à presidência significará "afirmação do Estado Democrático"


Aliados da presidente Dilma Rousseff no Senado afirmaram que a carta divulgada nesta terça-feira (16) pela petista poderá reverter o resultado do julgamento dela pela Casa, previsto para começar na próxima semana.

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Adversários de Dilma, contudo, consideraram que a manifestação da presidente não terá efeito prático para impedir a condenação da petista por crime de responsabilidade.

Ao ler a carta no Palácio do Alvorada, Dilma defendeu a realização de um plebiscito a fim de antecipar as eleições presidenciais de 2018, caso permaneça à frente do comando do País. Ela pediu aos senadores que não façam a injustiça de condená-la por um crime que diz não ter cometido e destacou que seu afastamento definitivo "seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta".

O líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), viu a carta de Dilma como algo positivo pela proposta de plebiscito. Segundo ele, o presidente em exercício, Michel Temer, é vítima de uma chantagem explícita do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por ter deflagrado em dezembro do ano passado o pedido de impedimento de Dilma. Cunha está prestes a ter o mandato parlamentar cassado.

Presidenta afastada convocou uma coletiva de imprensa no Palácio da Alvorada para explicar os argumentos da carta
Dida Sampaio/Agência Estado-16.08.2016
Presidenta afastada convocou uma coletiva de imprensa no Palácio da Alvorada para explicar os argumentos da carta


O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que a carta indica que Dilma ainda poderia ter capacidade de governar o País, em caso de absolvição dela e da realização de consulta popular. "Sem dúvida, após um plebiscito que definisse a continuidade do governo dela, ela passaria a ter mais legitimidade suplementar para estabelecer boa relação com Congresso", disse.

Minutos antes do início do pronunciamento de Dilma no Alvorada, aliados da presidente afastada no Senado não tinham recebido a íntegra da carta, medida que os irritou. Coube à senadora Fátima Bezerra (PT-RN), tão logo recebeu o inteiro teor e durante o pronunciamento da petista, lê-la em plenário e pedir para incluí-la nos registros da Casa.

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Os governistas, por sua vez, preferiram desqualificar a carta e considerá-la inócua para reverter a condenação de Dilma. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), chamou a missiva de um "ato de desespero político". "Depois de ter virado as costas para o Congresso Nacional e a sociedade, ela quer agora dialogar? É uma medida intempestiva, fora do timing", avaliou ele, ao considerar que a presidente afastada não é inocente.

Líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias, viu a carta de Dilma como algo positivo pela proposta de plebiscito
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 16.08.2016
Líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias, viu a carta de Dilma como algo positivo pela proposta de plebiscito


O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que a carta demonstra que Dilma está "completamente desconectada" com a realidade brasileira. "Ela trata do momento de crise que o País enfrenta como se não fosse ela a responsável por tudo isso", criticou. O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), considerou o gesto de Dilma "pura apelação".

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"É inconstitucional e derrotista. Quando a Câmara dos Deputados aprovou a autorização da abertura do processo de afastamento, Dilma poderia ter anunciado essa proposta de plebiscito com compromisso de renúncia imediata. Aí, sim, haveria sinceridade por parte dela. Agora, com o impeachment praticamente aprovado, essa proposta soa apelação e não tem base constitucional. Parece atitude de quem, derrotada, joga evidentemente no 'quanto pior, melhor'", afirmou Agripino.

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