Representantes de todas alas do partido pedem reformas macroeconômicas e uma gestão mais austera das contas do governo a partir de setembro

O presidente interino Michel Temer negou a intenção de ser candidato ao Planalto na disputa das eleições de 2018
Ascom
O presidente interino Michel Temer negou a intenção de ser candidato ao Planalto na disputa das eleições de 2018

O presidente interino Michel Temer está sofrendo com a pressão do PSDB para que deixe de fazer concessões no controle dos gastos públicos após a votação final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado que começa nesta quinta-feira (4).

O principais pedidos dos representantes do PSDB são reformas macroeconômicas e uma gestão mais austera das contas do governo quando o presidente interino Michel Temer for efetivado na Presidência da República em setembro de 2016.  O tom do discurso em defesa de um ajuste fiscal rígido foi alinhado entre o senador José Aníbal (PSDB-SP) e o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves.

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Para Aníbal, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deve evitar novas "bondades" como as concedidas ao Poder Judiciário, ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público nos Estados.  As bancadas do PSDB na Câmara e no Senado ficaram praticamente sozinhas na crítica à aprovação de reajustes do funcionalismo público que superam os R$ 50 bilhões de impacto até 2019 em meio à crise fiscal.

De acordo com interlocutores, Aécio Neves questionou se Temer faz "um governo de campanha ou para passar para a história?". O líder do PSDB afirma que recebeu um telefonema do presidente interino no qual ele negou qualquer possibilidade de ser candidato ao Planalto nas eleições de 2018. Aécio afirmou que não se preocupa com a possibilidade.

O ex-governador paulista Alberto Goldman defende uma postura mais firme da gestão Temer no controle das contas públicas. "Compreendo a cautela do presidente, mas, na minha opinião, é cautela demais. Ele está temeroso demais com a pressão das corporações", disse Goldman.

O deputado Miguel Haddad (PSDB-SP) diz que há um "desconforto" no partido em relação ao governo. "Tenho compreensão de que, até o impeachment de Dilma, Temer tem dificuldades para encaminhar as reformas, mas, passado isso, o País não poderá esperar mais", afirmou.

Divisão

A ala liderada por Aécio Neves fala em apoio crítico ao presidente interino, mas há quem cogite um eventual afastamento do governo se ações concretas não forem tomadas. Líderes ligados a Alckmin e a Serra dizem não ser possível se dissociar da gestão Temer, a quem o partido apoiou para derrubar Dilma. Porém, Serra tem feito críticas internas à combinação de juros altos com expansão dos gastos.

Comissão Especial do Impeachment

Os membros da Comissão Especial do Impeachment debateram nessa quarta-feira (3) o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que defende a procedência da acusação e a realização do julgamento contra a presidente afastada, Dilma Rousseff. Senadores que defendem o impeachment disseram que o texto é “irretocável” e “claro”. Por sua vez, os parlamentares que defendem a presidente afastada afirmaram que o documento concretiza um “golpe sorrateiro”.

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O relatório de Anastasia será votado pela comissão nesta quinta-feira (4), em sessão marcada para as 9h. Os líderes partidários poderão orientar suas bancadas usando da palavra por até 5 minutos antes da votação. Para ser aprovado, tornando-se então o parecer da Comissão do Impeachment, o relatório precisa dos votos da maioria simples dos membros do colegiado. Depois, seguirá para a análise do Plenário. Caso a maioria simples dos 81 senadores decida pela continuidade do processo, a presidente afastada será julgada no fim do mês, em data ainda a ser definida.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da oposição, disse que não há evidências para o afastamento definitivo de Dilma. Segundo ele, a perícia técnica conduzida pelo Senado rejeitou a autoria da presidente afastada nas chamadas “pedaladas fiscais” e outros órgãos técnicos aferiram a compatibilidade fiscal dos decretos orçamentários que integram a denúncia. Para Lindbergh, o processo de impeachment representa um “golpe”.  Para ele, o presidente interino, Michel Temer, deve ter cautela durante processo de impeachment.  

*Com Agência Senado e Agência Estado

Membros da Comissão do Impeachment debateram nesta quarta-feira (3) o relatório do senador Anastasia (PSDB-MG)
ASCOM- VPR
Membros da Comissão do Impeachment debateram nesta quarta-feira (3) o relatório do senador Anastasia (PSDB-MG)