Batizada de "Resta Um", operação tem como alvo construtora que integrava cartel; grupo teria pago propina a partidos e desviado bilhões da Petrobras

Na manhã desta terça-feira (2), a PF cumpre 23 mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em diversos estados
Rafael Arbex/Estadão Conteúdo
Na manhã desta terça-feira (2), a PF cumpre 23 mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em diversos estados


A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (2) a 33ª fase da Operação Lava Jato, que foi batizada de “Resta Um” e tem como alvo a construtora Queiroz Galvão, suspeita de ter pago R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra. O ex-presidente Ildefonso Colares Filho e o ex-diretor Othon Zanoide de Moraes Filho foram presos, investigados "pela prática sistemática de pagamentos indevidos a diretores e funcionários da Petrobras". Em março de 2015, um outro ex-presidente da construtora já havia sido preso .  

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Nesta nova fase da Operação Lava Jato estão sendo cumpridos 23 mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em diversos estados brasileiros – São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco – com o objetivo de encontrar provas de crimes de organização criminosa, cartel, fraudes licitatórias, corrupção e lavagem de dinheiro, relacionados a contratos firmados pela empreiteira Queiroz Galvão com a estatal petrolífera.

Em nota, a Polícia Federal esclareceu que o nome "Resta Um" remete ao fato de se tratar da última empresa de grande porte investigada na formação do cartel junto a Petrobras e não tem o objetivo de fazer menção ao encerramento das investigações. 

Acusação

As investigações apontam que a construtora formou, com outras empresas, um cartel de empreiteiras que participou ativamente de ajustes para fraudar licitações da Petrobras. Essa organização teria potencializado os lucros das empresas privadas e, consequentemente, gerado prejuízos bilionários à Petrobras.

Além da formação de cartel, a Polícia Federal encontrou evidências que revelam corrupção e pagamento de propina a funcionários da estatal. De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, executivos da Queiroz Galvão teriam pago valores indevidos em favor de altos funcionários das diretorias de Serviços e de Abastecimento – as investigações calculam que o valor da propina se aproxima dos R$ 10 milhões.

Ao maximizar lucros de empresas privadas, cartel formado pela Queiroz Galvão  teria lesado bilhões da Petrobras
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Ao maximizar lucros de empresas privadas, cartel formado pela Queiroz Galvão teria lesado bilhões da Petrobras

A Operação Resta Um também quer se aprofundar sobre os indícios de que milhões de dólares teriam sido transferidos em operações feitas por meio de contas secretas no exterior. A hipótese tem fundamento em comprovantes de repasses milionários feitos pelo truste Quadris para diversas contas que teriam favorecido funcionários da Petrobras.

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Por fim, as investigações pretendem colher provas adicionais do delito de obstrução à investigação de organização criminosa pela então realizada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, em 2009. Há indícios de que outros R$ 10 milhões teriam sido pagos pela Queiroz Galvão para evitar que as apurações tivessem sucesso.

Procuradoria

A procuradora da República Jerusa Viecili destacou "a ousadia da empresa investigada, traduzida pela atuação profissional e sofisticada no pagamento de propinas em contratos públicos durante longo período de tempo, mediante a utilização de expedientes complexos de lavagem de dinheiro, inclusive no exterior".

Ao longo das investigações da Lava Jato, o Grupo Queiroz Galvão foi identificado como o terceiro com maior volume de contratos celebrados com a Petrobras, alcançando um total superior a R$ 20 bilhões. Mas essa não é a primeira vez que o grupo aparece em investigações de grandes esquemas de corrupção – a Queiroz Galvão já foi investigada nas operações Monte Carlo, Castelo de Areia e Navalha. 

*Com informações da Agência Brasil e do Estadão Conteúdo

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