Presidente afastada afirmou que lutou para conquistar os 27 votos necessários contra o processo de impedimento no plenário do Senado

Dilma Rousseff afirmou que acredita conseguir evitar o impeachment no Senado em entrevista à revista Time
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma Rousseff afirmou que acredita conseguir evitar o impeachment no Senado em entrevista à revista Time

A presidente afastada Dilma Rousseff afirmou em entrevista à revista norte-americana Time que acredita que vai conseguir evitar o impeachment no Senado . Questionada se conseguirá os 27 votos necessários contra o processo no plenário, ela respondeu "lutei para isso e tenho a convicção de que posso vencer". A entrevista foi divulgada nessa quarta-feira (28).

Dilma disse que está sendo julgada por um “não crime” e que o País não está sofrendo um golpe militar, mas parlamentar. “Está afetando as instituições, as erodindo por dentro, as contaminando. Então, acredito que essa luta requer uma arma. Vivemos em uma democracia e a respeitamos. A arma nessa luta é o debate, a explanação e o diálogo", afirmou.

Na entrevista, a presidente afastada voltou a defender a realização de um plebiscito para que o presidente que exercerá o mandato a partir de 2019 possa "comandar o País de uma forma melhor". Ela também disse que o impeachment é misógino. "Quando uma mulher se torna a primeira presidente da República, abre espaço para uma avaliação da mulher que é muito estereotipada. De um lado são histéricas. De outro, insensível, fria e sem coração", afirmou.

Crise econômica

Dilma culpou a crise política por colocar o País em recessão, especialmente a partir do ano passado. À Time, falou ter tentado uma política a fim de prevenir que o pior da crise global chegasse. "Tivemos algum sucesso em 2011, 2012, 2013 e 2014."

Presidente afastada culpou a crise política por colocar o País em recessão, especialmente a partir do ano passado
Andressa Anholete/Estadão Conteúdo
Presidente afastada culpou a crise política por colocar o País em recessão, especialmente a partir do ano passado

Lava Jato

Sobre a importância da Operação Lava Jato , da Polícia Federal, para o futuro do Brasil, a presidente afastada desconversou e disse que o Brasil não tem monopólio sobre a corrupção. "A batalha contra a corrupção não é só sobre uma investigação. Ela é feita pelo avanço das instituições de controle e da legislação." 

Jogos Olímpicos

A petista voltou a dizer que não vai à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio por ter sido convidada em uma posição "injusta, muito secundária, que não condiz com o seu status presidencial". "Fui eleita com 54,4 milhões de votos", lembrou. 

Em relação à segurança, Dilma afirmou que a estrutura não foi "construída ontem nem anteontem" e passou por testes, como a Copa do Mundo em 2014. "Eu quero dizer para você que os Jogos estão perfeitamente organizados para serem um sucesso. Eu falo isso pela contribuição que o meu governo deu para a realização deles. Espero que o governo provisório e interino dê continuidade a tudo o que está montado."

Dilma ainda ressaltou que o vírus da zika não deverá ser um problema durante o evento esportivo, pois, com as temperaturas mais baixas, haverá menos mosquitos transmitindo a doença.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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