Delator apontou propina para ex-ministro Carlos Gabas, amigo de Dilma

Por Estadão Conteúdo |

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Gabas e Paulo Bernardo foram os primeiros alvos da Operação Custo Brasil, deflagrada pela PF na manhã desta quinta-feira; senadora Gleisi Hoffman também está na mira da inesvtigação

Estadão Conteúdo

Carlos Gabas sofreu busca e apreensão nesta quinta-feira (23) em nova Operação da PF
Valter Campanato/Agência Brasil
Carlos Gabas sofreu busca e apreensão nesta quinta-feira (23) em nova Operação da PF


O ex-vereador petista Alexandre Romano afirmou, em delação premiada à procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, que o ex-ministro da Aviação Civil e da Previdência Social Carlos Eduardo Gabas recebeu propina acertada com o PT cobrada da empresa Consist Software, por contrato vinculado ao Ministério do Planejamento.

O negócio teria como principal beneficiados o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento e Comunicação) e sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Gabas foi conduzido coercitivamente para depor na manhã desta quinta-feira (23), alvo da Operação Custo Brasil, que prendeu o ex-ministro Paulo Bernardo.

Conhecido como Chambinho, Romano foi preso na 18ª fase da Lava Jato, em agosto de 2015, alvo da Operação Pixuleco 2 – que apontou pagamento de R$ 51 milhões em propinas nesse contrato, a partir de 2010.

A Consist foi escolhida para prestar serviços de informática no âmbito do acordo técnico entre o Ministério do Planejamento, a Associação Brasileira de Bancos e o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada para gestão de margem consignável nas folhas de pagamento dos servidores públicos federais.

Após a confirmação do contrato, o ex-vereador diz que foi acertado que ele ficaria com um lucro de 32%. Segundo a delação de Chambinho, a partilha da propina foi discutida em reunião na sede do PT, em São Paulo, com o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto – preso pela Lava Jato, em Curitiba – e com o ex-tesoureiro petista Paulo Ferreira, casado com a ex-ministra Tereza Campello.

O delator aponta Paulo Ferreira com responsável por sua participação no negócio, em reunião na sede do PT, em Brasília, no final de 2009. "Para a conversa, Paulo Ferreira chamou Duvanier Paiva Ferreira (Secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento) e Carlos Gabas", informou Chambinho. "Foi dito que parte dos lucros da empresa ficaria com o Partido dos Trabalhadores e outra parte com as pessoas envolvidas na operação."

Chambinho relata que Vaccari não concordou com repasse de parte da propina para Gabas e Duvanier. Paulo Bernardo ficaria com um terço dos 32% porque era na época Ministro do Planejamento, chefe de Duvanier Paiva Ferreira. Na sequência, João Vaccari disse que os outros dois terços seriam divididos entre o Partido dos Trabalhadores (90%) e Alexandre Romano (10%).

Romano diz não ter concordado com a partilha e recorreu a Paulo Ferreira. Este, teria proposto o acerto final: "20% para Alexandre Romano e 80% para o Partido dos Trabalhadores.”

Ex ministro, Paulo Bernardo foi o primeiro a ser preso na Operação Custo Brasil, fase da Lava Jato
Agência Brasil
Ex ministro, Paulo Bernardo foi o primeiro a ser preso na Operação Custo Brasil, fase da Lava Jato

Nova partilha

Chambinho diz que a entrada de Gabas na partilha da propina ocorreu "em um segundo momento", no final de 2012 – ano das eleições municipais. João Vaccari chamou Romano e pediu para ele conversar com Dercio Guedes de Souza, representante da JD2.

Na versão do delator, o ex-tesoureiro do PT teria dito que conversou com o ministro de Planejamento Paulo Bernardo e que ele “teria autorizado tal empresa a entrar no esquema e ter uma participação nos lucros da Consist". Romano diz ainda ter ouvido do dono da JD2 que Gabas era "um dos beneficiados".

A entrada de Gabas, segundo revelou o ex-vereador do PT, foi porque na renovação do acordo de cooperação que tinha a Consist como beneficiária no Ministério do Planejamento, o secretário executivo adjunto da pasta Valter Correia "colaborou". A partir daí, a JD2 "receberia 50% do valor de um terço que era dedicado ao ministro do Planejamento Paulo Bernardo".

O delator diz ter ouvido do sócio da JD2 que o valor era dividido entre Gabas, Valter Correia e uma terceira pessoa. A propina foi paga nessa proporção até janeiro de 2015, quando aumentou a participação da JD2. "Ficando estabelecida no valor de R$ 300 mil."

Casada com ex-ministro Paulo Bernardo, senadora Gleisi Hoffman também está na mira da PF
Fábio Pozzebom/Agência Brasil
Casada com ex-ministro Paulo Bernardo, senadora Gleisi Hoffman também está na mira da PF


Os repasses, segundo Chambinho, "duraram até o ano de 2015, com proporções sendo alteradas ao longo dos meses". "Quem coordenava a divisão de lucros era a pessoa de João Vaccari", disse. Gabas foi ministro da Previdência entre 2010 e 2015 – ele é próximo da presidente afastada Dilma Rousseff. Em abril deste ano, foi nomeado ministro da Secretaria da Aviação Civil.

Ele integra a lista de alvos da Lava Jato que tinham direito a foro especial, por prerrogativa de função, e passaram a ser investigados em primeira instância.

Gleisi

O elo da senadora Gleisi Hoffman com o caso, além do marido, são o advogado Guilherme Gonçalves – alvo de buscas na Operação Pixuleco 2 – e um motorista. "Em terço ficaria para Paulo Bernardo, o que iria receber o dinheiro por intermédio de Guilherme Gonçalves." O advogado trabalhou nas campanhas da senadora Gleisi Hoffmann. Ele também teve prisão decretada na Custo Brasil, mas ainda não foi localizado.

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