Ex-presidente Lula participou de manifestação na Av. Paulista na noite desta sexta-feira, criticou o governo do PMDB e voltou a dizer que pode ser candidato nas eleições de 2018

Estadão Conteúdo

Lula discursa durante ato contra o governo Temer na Avenida Paulista, em São Paulo
Ricardo Stuckert/Instituto Lula - 10.06.16
Lula discursa durante ato contra o governo Temer na Avenida Paulista, em São Paulo

Em manifestação com milhares de pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (10) que o presidente do País em exercício, Michel Temer, não age como um presidente interino, mas com a mesma autoridade de Fidel Castro quando este tomou o poder em Cuba, em 1959.

"Mas Fidel tinha feito uma revolução, o Temer chegou lá através de um golpe", comparou Lula, que disse que a postura de Temer é um golpe no Senado, que deu ao peemedebista a condição de presidente interino.

"Temer, você é educado, um constitucionalista, você sabe que não agiu corretamente assumindo a Presidência interinamente. Temer, por favor, permita que o povo retome o governo com Dilma e participe das eleições em 2018 para ver se você vai ser presidente", afirmou o ex-presidente.

Lula também atacou o governo do peemedebista, acusando-o de fazer um "desmonte" do Brasil: "Eles não querem governo, querem vender o patrimônio público. "Só sabem privatizar, e para privatizar, não precisa ter governo precisa ter agiota".

Além disso, o ex-presidente afirmou que o governo interino age mal ao excluir alguns ministérios voltados a questões sociais. "Era melhor ter tirado o ministério da Fazenda ou do Planejamento do que os ministérios que cuidam dos pobres. Não é ministério que cuida de estatística, de número, é ministério que cuida de gente, de criança, de mulheres, de velho de homem."

"Voltou o complexo de vira-lata"

Depois, o petista fez referência à entrevista do ministro das Relações Exteriores, José Serra, ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira. "Eu lembrei de uma coisa que o Chico Buarque disse que ele gosta do governo da Dilma e do PT porque nós não falamos grosso com a Bolívia e não falamos fino com os Estados Unidos", disse o ex-presidente.

"Voltou o complexo de vira-lata, o ministro Serra reconheceu que o Brasil não pode se meter em coisa de país grande, que temos de conhecer nosso lugar, que somos pequenos, que somos pobres", criticou Lula.

Candidatura em 2018

Sobre as eleições de 2018, além de "desafiar" Temer a concorrer à Presidência, o ex-presidente voltou a falar de uma possível candidatura e declarou que denúncias e tentativas de incriminá-lo apenas fortalecem este pensamento: "Quanto mais me provocam, mais corro o risco o de ser candidato a presidente em 2018".

    Leia tudo sobre: lula impeachment
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.