Líder do governo no Senado manda aliada de Dilma ficar quieta durante sessão

De forma ríspida, Aloysio Nunes (PSDB-SP) perdeu paciência com Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) quando pedia redução de número de testemunhas de defesa de Dilma em comissão
Foto: TV Senado/Reprodução - 02.06.16
O senador Aloysio Nunes no momento em que se dirige rispidamente à senadora do Amazonas

Escolhido por Michel Temer para ser líder do governo no Senado Federal, Aloysio Nunes (PSDB-SP) perdeu a linha quando pedia a redução do número de testemunhas de defesa de Dilma Rousseff na comissão que analisa o impeachment da presidente afastada, nesta quinta-feira (2). De forma ríspida e em duas ocasiões, o tucano mandou Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) ficar quieta, gerando mal estar na sessão iniciada pela manhã.

"A senhora pode ficar quieta e me ouça. Fique em silêncio e ouça a minha fala", disse Aloysio, iniciando um bate-boca com Vanessa, aliada de Dilma e uma das principais vozes no Senado contrárias ao impeachment da petista. "Se a senadora permitir, eu falo. Que inferno!"

O episódio fez parte da sessão que acabou se tornando uma das mais tensas na Casa em relação ao impeachment. Desde o início, senadores discutiram, apontaram dedos uns aos outros e escancararam a grande tensão existente entre aliados e opositores da presidente afastada.

Além do questionamento em relação ao número de testemunhas de defesa, que aliados de Temer querem reduzir, a sessão foi marcada pelas tentativas dos favoráveis ao impeachment de acelerar o cronograma do processo – proposta contestada pela defesa de Dilma, representada por José Eduardo Cardozo, ex-advogado-geral da União.

A ideia seria reduzir o prazo proposto pelo relator do parecer aprovado pelo plenário do Senado responsável por afastar Dilma da Presidência e encerrar a fase atual do processo 20 dias antes do inicial – em julho no lugar de agosto. 

Após Cardozo exigir que a redução fosse discutida com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, apresentando recurso à questão de ordem proposta por Simone Tebet (PMDB-MS), o presidente da comissão especial, Raimundo Lira (PMDB-PB), decidiu que o cronograma só será definido após decisão da Corte. 

Veja fotos da votação que afastou Dilma da Presidência da República:


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