Segundo Paulo Rocha, a conversa provaria que o impeachment foi motivado por acordão de políticos que incluiria o PSDB

Estadão Conteúdo

O senador Paulo Rocha afirma que caso de Jucá é parecido com o de Delcídio, que foi cassado
Geraldo Magela/Agência Senado - 11.05.2016
O senador Paulo Rocha afirma que caso de Jucá é parecido com o de Delcídio, que foi cassado


Líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA) declarou nesta segunda-feira (23) que a gravação da conversa revelada entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, é a confirmação de que houve um acordo político para retirar Dilma Rousseff da Presidência da República. Ele acusa o PSDB de participar da negociação e analisa a possibilidade de pedir a cassação de Jucá, que é senador licenciado.

"Isso só confirma aquilo que já falávamos há algum tempo, confirma o golpe contra Dilma", disse o senador.

Reportagem desta segunda-feira (23) do jornal Folha de S. Paulo mostra um diálogo em que o ministro sugere a existência de um pacto para obstruir a Operação Lava Jato e diz ser preciso trocar o governo para "estancar a sangria". No diálogo, Jucá, que é presidente nacional do PMDB, e Machado sugerem que Temer poderia "construir um pacto nacional", inclusive com o Supremo.

Rocha comparou a divulgação ao polêmico grampo entre Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, à época, foi acusado provar que a nomeação do petista para a chefia da Casa Civil era uma forma de protegê-lo da Operação Lava Jato. "Um diálogo em que nada foi dito claramente foi suficiente para conseguirem eliminar o Lula e impedir que ele assumisse um ministério porque estaria obstruindo a Justiça. E agora, como ficará com o Jucá?", indagou.

PSDB
Na leitura do líder do PT, o áudio confirma que houve um "acordão" com a participação do PSDB para travar a Operação Lava Jato. "A gravação revela todo o esquema do PSDB via Aécio", diz Rocha. Presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) é citado seis vezes na conversa.

Presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG) é citado seis vezes na conversa de Romero Jucá
Pedro França/Agência Senado - 2.5.16
Presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG) é citado seis vezes na conversa de Romero Jucá


Segundo Jucá, "caiu a ficha" de que a operação da Polícia Federal também atingiria os políticos da legenda. Além de Aécio, ele menciona o agora ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), e os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Cassação
De acordo com o líder do PT, os senadores da oposição ainda estudam a possibilidade de pedir a cassação de Jucá, que é senador licenciado pelo PMDB-RR. Mas Rocha ainda comparou o caso dele ao do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que foi recentemente cassado por quebra de decoro parlamentar.

"Por muito menos do que isso, acabamos de cassar o senador Delcídio. Para o Senado ter coerência política, vamos ter de discutir isso agora", analisou. Assim como Jucá, o ex-petista foi pego em um áudio em que supostamente tentava obstruir as investigações da Lava Jato.

Delcídio tentava negociar um plano de fuga do País para o ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fizesse delação premiada para a operação.

Veja quais são os políticos que, junto com Romero Jucá, integram governo Temer:


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