Com posicionamento pró-impeachment, bloco será composto por 225 parlamentares de 13 partidos (PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, Solidariedade, PHS, PROS, PSL, PTN, PEN e PTdoB)

Estadão Conteúdo

Bloco terá maior cacife para levar as reivindicações do grupo ao presidente em exercício Temer
Câmara dos Deputados
Bloco terá maior cacife para levar as reivindicações do grupo ao presidente em exercício Temer

Fortalecidos com o processo de impeachment, partidos nanicos e do chamado centrão, determinantes até agora no afastamento de Dilma Rousseff, formalizam, nesta quarta-feira (18), um novo bloco na Câmara, que será composto por 225 parlamentares de 13 partidos (PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, Solidariedade, PHS, PROS, PSL, PTN, PEN e PTdoB). Com isso, será o maior da Casa, que tem um total de 513 deputados, e, portanto, com maior cacife para levar as reivindicações do grupo ao presidente em exercício Michel Temer.

O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ajudou a articular a formação do novo bloco, que inclui o chamado baixo clero da Casa. Os partidos do centrão foram disputados por Temer e Dilma durante a tramitação do impeachment entre os deputados e negociaram cargos com os dois lados. O presidente em exercício deu a eles vagas importantes na Esplanada e no segundo escalão do novo governo.

O medo entre aliados do presidente em exercício ouvidos pela reportagem é de que o peemedebista se torne um refém do centrão, que o obrigou, por exemplo, a colocar o PRB no Desenvolvimento.

O primeiro pleito do grupo é emplacar o novo líder do governo na Câmara – o nome defendido é o do líder do PSC, André Moura (SE), um dos principais aliados de Cunha. Mas seus integrantes também querem influenciar na agenda legislativa com propostas como a que legaliza jogos de azar.

Temer se reuniu com o grupo na própria terça-feira (17). O "novo centrão" chegou a levar o pedido para a indicação de Moura para a liderança do governo, mas o presidente em exercício não se decidiu. "O presidente ainda não definiu a indicação. A prerrogativa é do presidente, mas vamos buscar solução que nos unifique", afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Segundo Geddel, Michel Temer manifestou apreço
Valter Campanato/ABr - 25.04.16
Segundo Geddel, Michel Temer manifestou apreço "de governar de mãos dadas ao Congresso"

"Governar de mãos dadas"
Na reunião, Temer manifestou, segundo Geddel, apreço por "governar de mãos dadas ao Congresso" para agilizar votações de medidas provisórias e da revisão da meta fiscal. O presidente em exercício, no entanto, não estabeleceu uma pauta específica de prioridades para votações.

Com a indefinição, a sessão de terça-feira da Câmara acabou sem nenhuma votação, mesmo com quatro medidas provisórias ainda do governo Dilma trancando a pauta. A reunião do colégio de líderes prevista para a tarde acabou adiada para o dia seguinte, quando a expectativa é de que o novo líder já esteja definido.

Além de Moura, defendido pelo centrão, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) disputa a indicação. O nome dele é defendido por Moreira Franco, responsável pela área de infraestrutura do governo, e por integrantes da antiga oposição ao governo petista como PSDB e PPS.

Justamente para evitar um racha na base, o PMDB, com uma bancada de 66 deputados – a maior da Casa –, ainda não decidiu se vai participar do grupo. O receio é de que a entrada oficial do partido do presidente aponte a preferência de Temer pelo grupo.

Caso a legenda resolva entrar, o bloco poderá chegar a ter mais de 290 parlamentares – número grande o bastante para aprovar projetos de lei (mínimo de 257 votos), mas ainda insuficiente para aprovar emendas à Constituição Federal (308 votos).

Veja fotos da votação do impeachment na Câmara: 


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