Deputado federal que homenageou torturador da ditadura em votação do impeachment de Dilma afirmou a um jornal local que os vereadores de Campinas, interior paulista, são "otários"

Estadão Conteúdo

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ): apesar da carreira feita no Rio, ele é natural de Campinas
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ): apesar da carreira feita no Rio, ele é natural de Campinas


A Câmara Municipal de Campinas, no interior de São Paulo, aprovou moção que torna "persona non grata" o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), nascido na cidade – apesar de ter feito carreira política no Rio. A medida, anunciada na segunda-feira (16), é retaliação a uma entrevista do parlamentar ao jornal local "Correio Popular" na qual ele chamou os vereadores do município de "otários" e "desocupados". 

"Diante de tamanha ofensa aos trabalhos desta Nobre Casa Legislativa, discordamos da clara tentativa de desquailificar o Poder Legislativo municipal e entendemos que o parlamentar passa a ser persona non grata em Campinas", informa o documento aprovado, que será encaminhado ao deputado.

Em 17 de abril, na votação que aprovou a admissibilidade do pedido de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, Bolsonaro utilizou o momento de seu voto para fazer uma homenagem ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. No dia 25, a Câmara de Campinas aprovou documento repudiando a declaração, o que motivou o ataque do parlamentar do PSC.

"Essa Câmara Municipal de vocês aí é fraca. Estou me lixando para esses vereadores que votaram isso. Eles não têm o que fazer, são uns desocupados… Esses vereadores são uns otários", disse ao jornal. "O coronel Ustra foi um herói nacional, ele lutou pela nossa democracia, pela nossa liberdade."

Ustra comandou o DOI-Codi, centro de torturas do antigo II Exército em São Paulo nos anos de chumbo, entre 1971 e 1974. Em 2012, a Justiça paulista declarou oficialmente o coronel como torturador, o primeiro do País. Ele morreu em 2015, aos 83 anos.

A moção de protesto que tornou Jair Bolsonaro "persona non grata", apresentada pelo vereador Pedro Tourinho (PT), foi uma resposta ao posicionamento do deputado sobre os políticos locais. Um dia após a entrevista do parlamentar, na sessão de 2 de maio, o vereador Cid Ferreira (SD) criticou as declarações do deputado contra a Casa. "Além de deixar de ser homem, ele (Bolsonaro) deixou de ter caráter", declarou na tribuna.

Procurado pela reportagem, Bolsonaro não se manifestou até a publicação desta notícia.

Veja tumulto causado após homenagem de Bolsonaro a Golpe Militar de 1964:


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