Peemedebista pode se ver assumindo o cargo interinamente já nesta quarta-feira, quando Senado vota abertura de processo

Estadão Conteúdo

O vice-presidente da República, Michel Temer: articulações rápidas para assumir Poder Executivo
Divulgação - 30.01.16
O vice-presidente da República, Michel Temer: articulações rápidas para assumir Poder Executivo

Confiante de que o plenário do Senado aprovará o afastamento da presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira (11), o vice Michel Temer (PMDB) intensificou os preparativos para assumir interinamente o comando do País ao lado do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). A expectativa da cúpula do PMDB é de que, por volta das 22h, o resultado sobre a admissibilidade do processo de impeachment já seja alcançado, o que acarretará no afastamento da petista do cargo por 180 dias.

Diante de um quadro considerado como irreversível até pelos governistas, Temer se reuniu na terça-feira (10) com integrantes do grupo mais próximo ao partido para definir a linha do pronunciamento que pretende fazer, no final da tarde de quinta-feira (12), horas depois de Dilma ser notificada oficialmente da decisão do Senado.

Temer deve atender a imprensa no Palácio do Planalto já após a notificação – a ideia inicial é que ele fale sem abrir espaços para perguntas. Segundo interlocutores do vice, a ideia central do discurso será a de que "não é momento para comemorar, não é um momento de vitória, mas, por outro lado, a esperança está no ar".

Temer também deve abrir espaços na declaração para tratar da importância do prosseguimento das investigações da Operação Lava Jato.

Atualmente, alguns dos principais quadros do partido – como o presidente em exercício do PMDB, senador Romero Jucá (RR) o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afastado do comando da Câmara, e o próprio Renan Calheiros – estão no centro das investigações. Diante de possíveis desgastes com a opinião pública, Temer deve tratar a Lava Jato como um "patrimônio" a ser mantido. Após o pronunciamento, integrantes do grupo mais próximo defendem que o vice faça uma rodada de entrevistas, começando pelo "Jornal Nacional", da TV Globo, e em seguida, com os principais jornais e revistas do País.

Veja fotos dos protestos contra o impeachment realizados na terça-feira:

Trâmites
Com a iminência do afastamento de Dilma, Temer se reuniu na tarde de terça-feira com Renan, na residência oficial do presidente do Senado, para tirar as últimas dúvidas sobre os procedimentos que serão adotados para ele assumir a Presidência da República. O encontro, feito a pedido do vice, ocorreu um dia após o peemedebista ser pego de surpresa com a tentativa de manobra do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), de anular o processo de impeachment. 

"Na quinta-feira, em havendo a interinidade do presidente Michel, ele provavelmente já definirá a nomeação dos novos ministros", afirmou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos aliados de Temer que deve assumir um dos ministérios do futuro governo –haverá redução dos atuais 32 para 22 ministérios.

Segundo Jucá, que deverá assumir o Planejamento na nova gestão, as mudanças na área econômica não serão anunciadas no mesmo dia em que Temer assumir a Presidência. "As medidas econômicas virão no devido momento, depois da discussão do ministro da Fazenda, que for nomeado, com o presidente da República", ressaltou o peemedebista, enfatizando que definir e aprovar a meta de superávit fiscal do ano será um dos primeiros desafios do peemedebista. 

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