A pedido de Lula, família de Cerveró recebeu R$ 250 mil de Bumlai, diz Delcídio

Em delação premiada ao Conselho de Ética, Delcídio declarou que foi chantageado pela família do ex-diretor da Petrobras
Foto: Geraldo Magela /Agência Senado
Réu no Conselho de Ética do Senado, o senador Delcídio Amaral fechou fez de delação premiada


A defesa do senador Delcídio do Amaral afirmou ao Conselho de Ética do Senado, que a família de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, recebeu R$ 250 mil do pecuarista José Carlos Bumlai, "por interferência do ex-presidente Lula". Segundo os advogados do senador, Lula "pediu expressamente" a Delcídio que ajudasse Bumlai, que é amigo do petista. 

Segundo Delcídio, a família de Cerveró o chantageou. O documento aponta que "vários contatos foram feitos", mas que o senador "não tinha como atender as 'solicitações', porque estava devendo muito em função da campanha eleitoral de 2014". "É aí que entra em cena um personagem decisivo de toda a história: o ex-presidente Lula! Foi ele quem pediu expressamente a Delcídio do Amaral para 'ajudar' Bumlai porque, supostamente, ele estaria implicado nas delações de Fernando Soares e Nestor Cerveró", relata a defesa. "Delcídio, vendo a oportunidade de ajudar a família do Nestor, aceitou interceder."

A defesa afirma que Delcídio "foi explorado para benefícios de terceiros: de um lado, de Lula para proteger a família do amigo Bumlai; de outro lado, de Bernardo Cerveró que o atraiu por truques cênicos para criar a 'cama de gato' e conseguir o trunfo da sua colaboração do pai".

Delcídio é réu em um processo de cassação de mandato no Conselho de Ética do Senado e a denúncia foi feita em alegações finais, isto é, na parte derradeira do processo, em que são ouvidas as últimas acusações e as defesas apresentam suas argumentações e pedidos a serem considerados por quem julga. Em fevereiro, o Supremo mandou soltar Delcídio, que foi denunciado criminalmente pela Procuradoria-Geral da República. O senador firmou acordo de delação premiada com a Lava Jato.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Nestor Cerveró teria sido ajudado por Lula, que pediu a Bumlai doação para família do executivo


STF

Na semana passada, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou uma liminar por meio da qual o senador Delcídio pretendia suspender o processo de cassação do seu mandato em curso no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Delcídio argumenta que o Conselho de Ética não assegurou a ele o contraditório e a ampla defesa, direitos previstos pela Constituição. Isso porque, segundo o parlamentar, o colegiado decidiu dispensar o depoimento de testemunhas convocadas sem provocação das partes com "o propósito de frustrar a produção de prova requerida pela defesa".

De acordo com o ministro Celso de Mello, porém, não houve indicação de rol de testemunhas porque o partido que formulou a representação contra o parlamentar não o fez e, por sua vez, Delcídio deixou de indicar os nomes no momento adequado – quando ofereceu a sua defesa prévia.

Segundo o Instituto Lula, o ex-presidente esclareceu, em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República, que não praticou qualquer ato objetivando interferir na Operação Lava Jato.        

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