Ato anti-Dilma termina com Hino e fogos; manifestação pró-governo esvazia cedo

Por Ana Lis Soares e Nicolas Iory | - Atualizada às

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Realizado na Avenida Paulista, ato contra Dilma reuniu 250 mil pessoas, segundo a Polícia Militar; a sete quilômetros dali, manifestação em defesa do governo federal contou com 75 mil

Manifestantes celebram aprovação do impeachment pela Câmara dos Deputados, neste domingo
Ana Lis Soares/iG São Paulo - 17.04.18
Manifestantes celebram aprovação do impeachment pela Câmara dos Deputados, neste domingo

As últimas horas da votação que aprovou a continuidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff foram de pura festa na Avenida Paulista, região central da capital paulista. Foi na via que os manifestantes contra o governo federal se reuniram para acompanhar a sessão da Câmara dos Deputados em telões neste domingo (17), em dia encerrado com fogos e o Hino Nacional Brasileiro. De acordo com a Polícia Militar, 250 mil pessoas compareceram ao ato na via – para o Instituto Datafolha, foram 215 mil.

"É importante ver como as pessoas desejam acompanhar o que seus candidatos fazem em Brasília", disse ao iG  o empresário Rogério Chequer, líder do Vem Pra Rua, um dos grupos organizadores dos atos contra Dilma de 2015 para cá. "Devemos dar chance a esse governo do vice e sua coalizão, uma vez que isso é previsto na Constituição." 

Enquanto o clima era de festa na Avenida Paulista, a cerca de sete quilômetros dali, o cenário era de tristeza e desolação. Em um Vale do Anhangabaú que chegou a ter 75 mil pessoas, de acordo com a PM – 45 mil, segundo o Datafolha –, por volta das 22h, com a derrota iminente de Dilma decretada, ele se mostrava completamente vazio. Apesar de confiante, o governo federal sofreu uma derrota massacrante – 367 votos a favor e 137 contra o processo –, conhecida com 37 votos de antecedência e mais de uma hora antes do encerramento da votação.

Tão logo o voto decisivo a favor do impeachment foi proferido na Câmara dos Deputados, o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, discursou para os poucos manifestantes pró-Dilma que ainda se postavam no Vale do Anhangabaú.

"Hoje os donos do dinheiro, os traidores dos partidos de centro, o conspirador Michel Temer e o corrupto Eduardo Cunha ganharam a primeira batalha, mas eles não venceram a guerra", afirmou o petista, que convocou os apoiadores do governo a continuarem com as mobilizações pelo País. "É o povo organizado que pode pressionar o Senado e evitar o golpe. Vamos ocupar as ruas, os locais de trabalho e as escolas", bradou Falcão.

Coordenador nacional do Movimento dos Trabalhalhadores Rurais Sem-Terra, um dos grupos organizadores do ato em defesa da presidente, João Paulo Rodrigues, afirmou que os movimentos aliados do Partido dos Trabalhadores vão se alinhar para derrubar o processo nas ruas.  "Já temos um ato nacional marcado para o dia 1º de maio", disse ele, que rechaça dialogar com um eventual governo Michel Temer. "Não acredito em diálogo porque ele tão teria legitimidade."

Destoando dos rostos apreensivos da maioria dos manifestantes, o secretário do prefeito Fernando Haddad e ex-ministro de Dilma, Alexandre Padilha, manteve o semblante confiante durante a votação, mesmo com a escalada dos votos pró-impeachment.

"Estou feliz por causa dessa mobilização de hoje, que foi muito além do PT. Foi muito diversa", comentou ele antes do resultado final ser conhecido. "Eu tenho certeza que a repercussão disso vai influenciar na decisão de alguns parlamentares e que a arrogância com a qual o Cunha conduziu esse processo também vai influenciar."

Manifestantes se reúnem para acompanhar votação do impeachment na Avenida Paulista
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO CONTEÚDO 17.04.16
Manifestantes se reúnem para acompanhar votação do impeachment na Avenida Paulista


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