Em mensagem enviada pelo vice-presidente a parlamentares do PMDB, Temer fala como chefe de Estado e anuncia que é o "substituto constitucional da presidente da República"

Estadão Conteúdo

O vice-presidente da República, Michel Temer: principal articulador do rompimento com Dilma
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O vice-presidente da República, Michel Temer: principal articulador do rompimento com Dilma

Vazado nesta segunda-feira (11), um áudio de quase 15 minutos enviado a parlamentares do PMDB pelo vice-presidente da República, Michel Temer, se antecipa ao resultado das votações da Câmara dos Deputados sobre o processo de impeachment e faz o discurso da vitória na Casa, que oficialmente ainda não admitiu a abertura da ação contra Dilma. 

Na mensagem, Temer afirma que "aconteça o que acontecer no futuro, é preciso um governo de salvação nacional e, portanto, de União nacional". "É preciso que se reúna todos os partidos políticos e que todos os partidos políticos estejam dispostos à colaboração para tirar o País da crise", afirma o vice-presidente.

O áudio foi vazado no momento em que a Comissão Especial do Impeachment da Câmara dos Deputados vota a admissibilidade do impeachment, texto que posteriormente ainda terá de ser aprovado por 2/3 dos 513 parlamentares da Casa antes de chegar ao Senado Federal – momento em que a presidente seria afastada do cargo de presidente por 180 dias para enfrentar o processo. 

Ouça o áudio na íntegra:

Temer ressalta no áudio ser o "substituto constitucional da presidente da República" e afirma que o País terá de se submeter a sacrifícios a partir do afastamento de Dilma, com quem o vice-presidente está rompido oficialmente desde 29 de março, quando, após sua articulação, o PMDB anunciou o fim da aliança com o governo federal.

"Sem sacrifícios, não conseguiremos avançar para retomar o crescimento e o desenvolvimento que pautaram a atividade do nosso País nos últimos tempos antes desta última gestão", discursa no áudio Temer, presidente nacional licenciado do PMDB. 

Veja fotos da votação da Comissão Especial do Impeachment:

"Sei que dizem de vez em quando que, se outrém assumir, vamos acabar com Bolsa Família, vamos acabar com Pronatec, vamos acabar com Fies. Isso é falso. É mentiroso e fruto dessa política mais rasteira que tomou conta do País. Portanto, neste particular, quero dizer que nós deveremos manter estes programas e até, se possível, revalorizá-los e ampliá-los."

No áudio, Temer ainda defende parcerias público-privadas para que o Estado fique responsável apenas por algumas áreas específicas de gestão e afirma que um eventual governo seu será marcado pela retomada de empregos. 

"Empregadores de um lado, trabalhadores de outro lado. Estes setores produtivos é que, aliançados, vão fazer a prosperidade do Estado brasileiro. Estado brasileiro tem que cuidar de segurança, saúde, educação, enfim, de alguns temas fundamentais que não podem sair da órbita pública. Mas, no mais, tem de ser entregue à iniciativa privada."

A assessoria de imprensa de Temer classificou a divulgação do áudio como "acidental". Em rápida coletiva de imprensa realizada horas depois, o vice-presidente disse que reitera "que aquilo que disse seria exatamente o que fiz no passado e continuarei a fazer intependentemente do que aconteça no domingo. Ainda que o governo federal continue como está continuarei sustentando as mesmas teses". 

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