Presidente se reuniu no Planalto com os ministros Jaques Wagner (chefe do Gabinete Pessoal) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) para fazer novo balanço da situação

Estadão Conteúdo

A presidente Dilma Rousseff: semana decisiva para futuro da petista no Palácio do Planalto
Lula Marques/ Agência PT - 31.03.16
A presidente Dilma Rousseff: semana decisiva para futuro da petista no Palácio do Planalto


O Palácio do Planalto acompanha com atenção a sessão de votação da Comissão Especial de Impeachment da Câmara dos Deputados, que ocorre nesta segunda-feira (11). Tanto que a presidente Dilma Rousseff se reuniu com os ministros Jaques Wagner (chefe do Gabinete Pessoal) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) para fazer novo balanço da situação. 

A avaliação é que dificilmente o governo conseguirá reverter os votos a favor do impeachment na comissão especial, mas vê cenário mais favorável para a votação em plenário. Ainda assim, o Planalto continua investindo nos indecisos e tentando evitar novas defecções e traições, como têm ocorrido em votações no Congresso Nacional. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o principal articulador da defesa da presidente e de convencimento dos parlamentares, embora outros ministros também estejam ajudando o governo.

Pela manhã, Lula viajou ao Rio de Janeiro para conversar com peemedebistas do Estado para convencê-los de apoiar Dilma, movimentação semelhante à feita na cidade pelo vice-presidente Michel Temer, que buscou apoio pelo impeachment.  

No fim de semana, Dilma se reuniu com ministros no Palácio da Alvorada e, além de discutir a defesa que o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, apresentaria na comissão especial, falaram da planilha de votos.

Mais uma vez, o desempenho de Cardozo na comissão foi elogiado pela presidente e ministros. Neste momento, o governo considera que melhorou um pouco a situação de sexta-feira (8) para cá. A avaliação é de que eles perdem mesmo na comissão, embora os esforços continuem, "mas não será de lavada", comentou um assessor palaciano. "Vamos perder de pouco, o que não inviabilizará a votação em plenário", ressaltou a fonte.

No final da semana passada, o governo avaliava que a sua margem estava mais apertada e que tinha cerca de 180 votos para derrubar o impeachment, apenas oito a mais do que o necessário. Para esta segunda-feira, depois do trabalho de Lula e dos ministros no fim de semana, a previsão é de que o número tenha voltado aos 200 votos e poderá chegar a 210, em um cenário mais otimista. A votação em plenário deve ocorrer no próximo domingo (17).

Mais uma vez, o desempenho de José Eduardo Cardozo foi elogiado pela presidente e ministros
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados - 11.04.16
Mais uma vez, o desempenho de José Eduardo Cardozo foi elogiado pela presidente e ministros


A maior preocupação do governo é que surjam novas delações premiadas e que isso possa atrapalhar o clima no plenário e criar uma onda contra o governo. Mas, até agora, de acordo com um dos levantamentos, já que vários mapeamentos estão sendo feitos, a derrota na comissão terá um impacto sobre o plenário, mas não forte o suficiente para impor a derrota à presidente – por isso, a disposição de continuar trabalhando os indecisos e os que reverteram seus votos de contra impeachment para pró-impeachment.

Assessores diretos de Dilma apostam na tese de que não existe crime de responsabilidade e que está sendo promovido um "linchamento público" da presidente. O governo também considerou, com base na última pesquisa Datafolha, que a oposição "passou do ponto" nos ataques à presidente e ao Planalto. O levantamento mostrou, entre outros pontos, que a intenção de votos pró-PSDB não cresceu e que quem de fato se beneficiou com a crise política foram Marina Silva e o ex-presidente Lula.

Veja fotos do dia de votação do relatório do impeachment na Câmara:


    Leia tudo sobre: impeachment
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.