Liderado pelo PSTU, grupo faz manifestação "contra todos" na Avenida Paulista

Manifestantes criticam Dilma, Temer, Cunha, Renan e Aécio em protesto realizado no início da noite desta sexta-feira (1ª)
Foto: Paulo Ermantino/Agência O Dia/Estadão Conteúdo - 1.4.16
PSTU e central sindical lideraram manifestação realizada nesta sexta-feira (1ª)

Manifestantes fizeram no início da noite desta sexta-feira (1ª) um ato contra a polarização política e defendendo os direitos dos trabalhadores na Avenida Paulista, região central de São Paulo. Chamado de Chega de Mentiras, o ato é apoiado principalmente pela CSP-Conlutas e pelo PSTU.

Com críticas a Dilma Rousseff (PT), Eduardo Cunha, Michel Temer e Renan Calheiros (PMDB), e Aécio Neves e Geraldo Alckmin (PSDB), os manifestantes chegaram a interditar um dos sentidos da Paulista.

Parte dos manifestantes que estiveram no ato saiu em caravana da cidade de São José dos Campos (SP). Eles usavam camisetas pretas com fotos da presidente Dilma Rousseff, do vice-presidente Michel Temer, e do senador Aécio Neves, entre outros, com a mensagem "Fora Todos". Muitos dos participantes do ato, segundo os organizadores, são metalúrgicos.

Os manifestantes criticam tanto o governo da presidente Dilma Rousseff quanto a oposição. Na chamada do ato, eles diziam que "não há diferença entre o governo do PT e a oposição de direita nos ataques contra a classe trabalhadora”. Para eles, é preciso construir uma terceira alternativa, um bloco que defenderia o direito dos trabalhadores.

O ato ocorreu também em outras cidades do País e incluiu protestos contra o ajuste fiscal, as privatizações e a reforma da previdência.

Divisão
As entidades que apoiam o ato, embora concordem com a saída da presidente Dilma da Presidência, dividem-se em apontar uma solução para o momento político brasileiro.

O presidente nacional do PSTU, Zé Maria, defende a realização de uma nova eleição. “Nossa opinião é que a solução para a crise do País é tirar todos eles e convocar novas eleições gerais”.

Indagado se, neste caso, os candidatos não seriam os mesmos, Zé Maria disse que há opções, como o PSTU, que “não aparece na lista de partidos que receberam dinheiro da Odebrecht”. “O povo tem alternativas. E o povo saberá decidir o que é melhor para ele”, disse. “O impeachment [de Dilma] não resolve porque bota o Temer no lugar. E o Temer e a Dilma são a mesma coisa”.

Paulo Barella, da secretaria nacional executiva da Conlutas, disse que a central ainda não se decidiu sobre a melhor solução para o País. Segundo ele, esse é um debate que a entidade ainda está desenvolvendo e quer discutir com os trabalhadores a partir de mobilizações como essa qual é a melhor saída.

“Pode ser eleições gerais ou uma organização independente dos trabalhadores ou outra saída. Isso é uma construção que teremos que fazer”, disse Barella. “Defendemos aqui a construção desse campo independente, da classe trabalhadora, que se enfrenta contra os outros dois segmentos [os favoráveis e os contrários ao governo atual]. Estamos construindo aqui essa ação para mostrar que há uma outra visão em relação aos outros dois campos, que busca ações independentes dos trabalhadores”.

As entidades pretendem se reunir novamente no dia 1º de maio na Avenida Paulista.

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