Presidente afirmou ainda que o acesso à terra produtiva significa "riqueza para brasileiros e brasileiras"

Estadão Conteúdo

Presidente citou que foram assinados 25 decretos para a reforma agrária de 56,5 mil hectares
Roberto Stuckert Filho/PR - 01.04.16
Presidente citou que foram assinados 25 decretos para a reforma agrária de 56,5 mil hectares

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (1) em evento de assinatura de medidas de regularização fundiária, no Palácio do Planalto, que a dificuldade de acesso à terra tem sido uma das razões para a desigualdade do Brasil.

"Isso explica porque que um País tão grande se construiu com dificuldade", disse. A presidente citou que foram assinados 25 decretos para a reforma agrária de 56,5 mil hectares que "vão permitir mais um passo na construção de um Brasil mais justo, mais igual e rico", afirmou.

Dilma disse ainda que o acesso à terra produtiva significa "riqueza para brasileiros e brasileiras" e ainda citou as leis de cotas raciais para universidades e o setor público. "Alunos da lei de cotas têm apresentado um desempenho acima da média. Diante de oportunidades sabemos que nosso povo é forte e guerreiro".

A presidente considerou ainda que a persistência da discriminação racial no País é um "vergonhoso paradoxo" e que um País nascido na miscigenação, na matriz africana, não pode compactuar com o racismo. "Queremos um Brasil mais igual que respeite a desigualdade e que os ódios não proliferem", discursou.

Impeachment

A presidente Dilma Rousseff voltou classificar a ameaça de impeachment contra ela como "golpe" e pediu aos presentes que se mantenham, segundo ela, vigilantes e ofereçam resistências às tendências antidemocráticas e provocações. "Precisamos nos manter vigilantes e oferecer resistência às tendências antidemocráticas. Oferecer resistência também às provocações", disse. "Nós não defendemos a perseguição de qualquer autoridade, porque pensa assim ou assado. Nós não defendemos a violência; eles defendem, eles exercem a violência, nós não", completou.

Grupos pró-Dilma protestam contra o impeachment:

Após falar sobre reforma agrária, Dilma afirmou que a construção de um País pacífico no convívio social é o princípio que permeia as ações do seu governo. Em seguida, disse que era importante a frase do ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, "não vai ter golpe, vai ter reforma agrária", dita antes, e emendou: "o País deveria estar fazendo ações para crescimento econômico".

Dilma retomou também a comparação entre o atual momento político com o da ditadura militar para alertar, segundo ela, para a ameaça à democracia. "Na ditadura a relação é de imposição e no arbítrio uns decidem por todos. Hoje Brasil tem aspectos da democracia ameaçados", afirmou. "As regras do jogo não podem ser rompidas, porque tornam as relações das pessoas problematizadas. Não é democracia quando os direitos de alguns são atropelados pelo arbítrio de outros", completou.

Segundo a presidente, a democracia desejada é a que respeita todas as religiões e pessoas, e que olhe para a reforma agrária como um processo que todos os brasileiros se beneficiam. "Mais oportunidade de mais cidadania exige democracia e nós não vamos permitir que nossa democracia seja manchada", concluiu.


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