Prisão intensificará atos pró-Lula; militância não descarta protesto no domingo

Por David Shalom - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Coordenadores de atos afirmam que possível prisão levará a indignação generalizada e ressaltam que principal desafio de grupos pró-PT é que reações sejam coletivas, não individuais

Militantes do PT e sindicalistas fazem vigília em frente à casa de Lula no ABC paulista, no sábado
MÁRIO BRAGA/ESTADÃO CONTEÚDO
Militantes do PT e sindicalistas fazem vigília em frente à casa de Lula no ABC paulista, no sábado

O pedido de prisão preventiva de Luiz Inácio Lula da Silva pelo Ministério Público do Estado de São Paulo elevou ao máximo o estado de alerta da militância do PT e dos militantes ligados ao Partido dos Trabalhadores, na noite de quinta-feira (10). Lideranças sindicais consultadas pelo iG garantem que os protestos de rua irão se intensifcar como nunca caso a Justiça acate o pedido da promotoria. E não descartam manifestações no próximo domingo (13), quando grupos apoiados pela oposição ao governo federal fazem atos pelo impeachment de Dilma Rousseff em 415 cidades do País – além de outros 23 eventos no exterior. 

Na quinta-feira (10), uma reunião de emergência foi convocada pela Frente Brasil Popular para discutir os próximos passos da militância a partir do momento em que o MP pediu a prisão do maior símbolo do PT por falsidade ideológica relacionada ao apartamento tríplex no litoral paulista com o qual Lula teria sido beneficiado por empreiteiras ligadas à corrupção na Petrobras. Fundado em setembro passado, o grupo reúne 65 entidades sindicais, legendas partidárias e movimentos sociais ligados ao partido de Dilma, incluindo o próprio PT, o PCdoB, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE). 

Ao mesmo tempo, o PT se mantinha em estado de mobilização permanente ao longo da noite, concentrando suas lideranças nos diretórios estaduais do partido em São Paulo e em Brasília para aguardar o desenrolar dos fatos a fim de definir a estratégia para defender o ex-presidente. A orientação, tanto aos militantes do partido quanto a seus aliados, seria definir os rumos coletivamente e evitar possíveis protestos isolados, que podem levar a conflitos com grupos anti-Dilma como os que ocorreram quando Lula foi depor no Fórum da Barra Funda, em 17 de fevereiro, e na última sexta-feira (4), data em que o petista foi obrigado a depor – condução coercitiva – na Polícia Federal.

PM em estado de alerta
O risco de conflitos levou a Polícia Militar de ao menos seis capitais, além do Distrito Federal, a confirmar o reforço do efetivo ao longo de todo o domingo, independente da confirmação de atos pró-PT, que, a princípio, podem ocorrer de forma isolada. Antes mesmo do pedido do MP, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, já havia anunciado um plano para evitar que houvesse qualquer encontro entre os grupos antagônicos, garantindo que a PM iria isolá-los uns dos outros. As polícias também têm preocupação com a possibilidade de confusões no Recife, Belo Horizonte, Brasília e São Luís, cidades onde seriam realizados atos em defesa do governo federal, subitamente cancelados na quinta-feira sob a justificativa de risco de violência – apenas a capital pernambucana manteve a agenda em ato chamado de "pró-democracia", sem assumir a ligação com o partido de Dilma.

O ex-presidente Lula no momento em que foi levado para depor no Aeroporto de Congonhas
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO CONTEÚDO - 04/03/16
O ex-presidente Lula no momento em que foi levado para depor no Aeroporto de Congonhas

Em Porto Alegre, única capital que na noite de quinta-feira ainda confirmava abertamente protesto em aliança com o PT para domingo, a Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul afirma que o planejamento para as ações "contempla todas as possibilidades em caso de necessidade de ação". A Frente Brasil Popular gaúcha admite ter procurado o órgão devido à sua preocupação com os conflito contra seu protesto por parte da militância anti-governo. "Pedimos ao secretário [Wantuir Francisco Brasil Jacini] para que adote providências no sentido de proteger o protesto. Temos de evitar o contato físico dos grupos de qualquer maneira. A possibilidade de confronto é preocupante", diz Milton Viario, coordenador do grupo no Estado, que aguarda ao menos cinco mil pessoas em seu ato.

Coordenador nacional da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim avalia que, apesar de a orientação do grupo ser a de evitar as ruas no domingo, o pedido de prisão preventiva de Lula, aliado a declarações do governo paulista ao longo da semana proibindo movimentos pró-PT de se reunirem nos mesmos locais dos contrários ao partido, deve elevar a indignação da militância, que pode protestar mesmo que uma manifestação oficial não seja convocada. Ao longo da semana, a frente emitiu três notas aconselhando seus seguidores a irem às ruas somente na próxima sexta-feira (18), data em que já estava previsto o ato. 

"A gente tem controle sobre as entidades, mas não sobre cada pessoa. O indivíduo que não faz parte das organizações e se sentir indignado pode acabar indo aos protestos. Não tem um Estado ou capital que requeira mais cuidado. A preocupação é geral", aponta o sindicalista. "Enxergamos que essas medidas que estão sendo tomadas com o apoio da imprensa são para potencializar o ato dos golpistas do dia 13", concorda o presidente da CUT de São Paulo, Douglas Izzo.

Militante da CUT é socorrido após se envolver em briga com anti-petistas em frente a fórum em SP
Leonardo Benassatto/Futura Press - 17.2.16
Militante da CUT é socorrido após se envolver em briga com anti-petistas em frente a fórum em SP


compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas