Pronunciamento promovido em defesa de Lula acabou sendo mais focado em críticas à delação premiada do senador do PT

A presidente da República discursa ao lado de José Eduardo Cardozo e Jaques Wagner
Roberto Stuckert Filho/PR/Divulgação - 04.03.2016
A presidente da República discursa ao lado de José Eduardo Cardozo e Jaques Wagner

Horas depois de deflagrada a operação que teve como foco Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre o assunto e se disse inconformada com a 24ª etapa da Operação Lava Jato, em discurso na tarde desta sexta-feira (4). No entanto, o discurso de cerca de dez minutos acabou sendo mais direcionado ao vazamento da delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), ocorrido na véspera, do que à defesa do principal nome do Partido dos Trabalhadores. 

Após falar rapidamente a respeito da ação contra Lula, Dilma passou a discorrer pela primeira vez publicamente sobre o ex-líder do governo federal no Senado, classificando como "absurdo" o vazamento do suposto depoimento de Delcídio à Justiça Federal, segundo o qual o parlamentar acusou o governo petista de uma série de ações para barrar as investigações da Lava Jato. 

"Se essa delação chegou a ser feita, o objetivo foi só tentar atingir o meu governo, pelo desejo de vingança e de retaliação a quem não defendeu quem não poderia ser defendido", afirmou a presidente em discurso. "Observo que, nas declarações de Delcídio, nenhum elemento novo foi apresentado para alterar o que já havia sido definido."

Veja fotos da 24ª fase da Operação Lava Jato:

De acordo com reportagem publicada na revista Isto É, a presidente tentou intervir na apuração da Lava Jato por meio de indicações favoráveis ao PT para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e conversas com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Além disso, ela teria, de acordo com Delcídio, atuado diretamente na nomeação de Nestor Cerveró – preso na Lava Jato – para a diretoria internacional da Petrobras e saberia da compra superfaturada da refinaria de Pasadena, nos EUA, em 2006. 

"Em 2014 eu prestei informações detalhadas à Procuradoria-Geral da República a respeito de Pasadena. Essas informações fora exaustivamente embasadas em reuniões da Petrobras e, com base nesses documentos que enviamos, a Procuradoria derterminou o arquivamento da investigação afirmando não ser possivel imputar o cometimento de qualquer espécie de crime aos conselhos de administração", afirmou a presidente.

Dilma ainda chamou de absurdas as hipóteses de ter chamado qualquer senador para ajudar na escolha de um ministro da Justiça e de que o fim da CPI dos Bingos, em 2005, teria ajudado a elegê-la à Presidência quatro anos depois.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.