Delação premiada irá acelerar queda de Delcídio, afirma relator de processo

Por Estadão Conteúdo |

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Escolhido como relator do processo contra petista, senador deve confirmar abertura de ação já na próxima semana

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O senador Delcídio Amaral (PT-MS),: segundo reportagem, acordo de delação está certo
Geraldo Magela/ Agência Senado
O senador Delcídio Amaral (PT-MS),: segundo reportagem, acordo de delação está certo

Relator do pedido de quebra de decoro contra o senador Delcídio Amaral (PT-MS) no Conselho de Ética do Senado, o senador Telmário Motta (PDT-RR) afirmou, na manhã desta quinta-feira (3), que a delação premiada que o petista está fazendo deve acelerar seu processo de cassação.

"Imagina, o cara se autoconfessa réu. Acho que sim (acelera a cassação)", disse o pedetista, que foi escolhido como relator do caso na véspera e deve apresentar o parecer sobre a admissão da abertura do processo contra Delcídio já na próxima semana.

Questionado se pode haver uma união de parlamentares parlamentares para salvá-lo da punição, Telmário preferiu responder por ele: "Não aceito esse tipo de pressão. Não há nada no mundo que me faça aceitar. Vou agir na legalidade e com a minha consciência. Não há perigo de eu sofrer influência."

Em entrevista no corredor do Senado, Telmário fez questão de ressaltar que é vice-líder do governo Dilma no Senado para defender "as coisas importantes para o País, não para estar protegendo ninguém". "Fui eleito sem grupo político e financeiro, combatendo a corrupção. Não serei passivo a tudo isso não. Não vou passar a mão na cabeça de ninguém", afirmou ele, que é senador de primeiro mandato.

O senador Telmário Mota afirmou após repercussão que não passará a mão na cabeça de ninguém
Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Telmário Mota afirmou após repercussão que não passará a mão na cabeça de ninguém

O pedetista ponderou ter votado contra a prisão de Delcídio em novembro por avaliar que ela não estava de acordo com a legalidade. Afirmou que era preciso ter havido o cometimento de crime flagrante e inafiançável, o que, a seu juízo, não ocorreu.

O senador do PDT adiantou que, após as notícias sobre delação, não vai procurar Delcídio por telefone, nem receber qualquer telefonema dele. Telmário afirmou que o caso do petista será tratado "de forma transparente" e frisou que a "conversa" entre eles será por meio de documentos. Ele afirmou ter cancelado sua volta para Roraima para se debruçar sobre os autos do processo ao longo do fim de semana.

"A partir do relatório prévio, que tenho de entregar até quarta-feira, vamos ver se acata ou não e aí vai se abrir a oitiva", disse o pedetista, sem revelar qual posição tomará.

O senador do PDT lembrou que Delcídio telefonou para ele logo após Telmário ter cobrado explicações da tribuna da Casa sobre uma reportagem da Folha de S. Paulo na qual o petista insinuava que poderia envolver outros senadores em irregularidades. Segundo ele, Delcídio disse que jamais faria isso, não tinha esse tipo de informação e que aquilo não era verdadeiro.

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