SP: PSDB decide hoje quem pode levar partido de volta à Prefeitura após 10 anos

Por David Shalom - iG São Paulo |

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Divididos, filiados vão escolher entre entre Tripoli, Matarazzo e Doria quem disputará o comando da capital paulista

Da esquerda para a direita, os pré-candidatos João Doria, Andrea Matarazzo e Ricardo Tripoli
Futura Press
Da esquerda para a direita, os pré-candidatos João Doria, Andrea Matarazzo e Ricardo Tripoli

Dez anos após deixar a Prefeitura de São Paulo e com o partido dividido entre três nomes a poucos meses da disputa, o PSDB decidirá quem defenderá os tucanos nas eleições deste ano em votação entre filiados a ser realizada em toda a capital paulista, neste domingo (28).

Será a primeira vez em duas décadas que o partido, com enorme força no interior do Estado, tentará ocupar o governo municipal sem os principais nomes da legenda em território paulista – o senador José Serra e o governador Geraldo Alckmin. 

Os tucanos não comandam a capital paulista desde março de 2006, quando Serra abandonou o cargo para disputar o governo do Estado, deixando a cadeira para seu então vice, o hoje ministro das Cidades, Gilberto Kassab. Desde então, o partido tentou voltar à Prefeitura duas vezes, em 2008 e 2012, e, apesar de ter tido justamente Alckmin e Serra em cada uma delas, fracassou em ambas.

Em 2016, o desafio é ainda maior. Se nas eleições anteriores a legenda contou com seus principais representantes em São Paulo, no pleito deste ano terá nomes sem experiência em disputas para cargos executivos: o deputado federal Ricardo Tripoli, o vereador Andrea Matarazzo e o empresário João Doria. 

O empresário João Doria discursa para filiados em evento realizado na Fecomercio, no sábado (20)
Divulgação - 20.02.2016
O empresário João Doria discursa para filiados em evento realizado na Fecomercio, no sábado (20)

Mais do que isso, terá de superar a barreira de fazer o candidato escolhido nas prévias ficar conhecido pelos eleitores paulistanos em menos de sete meses – as eleições ocorrem em outubro –, período bem menor que o dos principais concorrentes ao pleito, cujas candidaturas já estão confirmadas desde o ano passado. 

As pesquisas de intenção de voto deixam claro o problema que o partido enfrentará. Levantamentos recentes têm mostrado o deputado federal Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e Fernando Haddad (PT) sempre com grande vantagem sobre os possíveis candidatos tucanos – com uma baixa média que não passa de 5%.

Representante do diretório tucano na capital paulista, o vereador Mário Covas Neto afirma que o ideal seria que as prévias tivessem sido realizadas ainda em 2015. Assim, o partido iniciaria o ano já com um candidato definido.

"Quanto mais tempo a gente tem para mostrar quem vai defender a legenda, maiores são as chances de emplacarmos esse candidato. Mas não conseguimos chegar a um entendimento de data no ano passado, tivemos o carnaval logo no início de 2016 e, olhando para o calendário, chegamos ao dia em que era possível fazer a votação", explica Covas Neto. 

Andrea Matarazzo (ao centro) ao lado de José Serra, Aloysio Nunes, FHC e Alberto Goldman
Divulgação - 22.02.2016
Andrea Matarazzo (ao centro) ao lado de José Serra, Aloysio Nunes, FHC e Alberto Goldman

O período pode ficar ainda mais curto devido à possibilidade de a disputa não ser decidida neste domingo, o que a levaria para um segundo turno – perspectiva que os próprios pré-candidatos admitem ser a mais provável. Assim, o nome a entrar na corrida para ocupar o cargo do petista Fernando Haddad só ficaria conhecido em 20 de março.

Mais do que ter o apoio dos filiados, os pré-candidatos ainda precisam convencer o tucanato a deixar sua casa em pleno fim de semana para ir às urnas escolher o nome a apoiar no pleito, já que o voto é facultativo.

Tripoli (abanando o braço direito) ao lado de Anibal (de branco) e Bruno Covas (agachado, de azul)
Divulgação - 16.02.2016
Tripoli (abanando o braço direito) ao lado de Anibal (de branco) e Bruno Covas (agachado, de azul)

Nas últimas prévias do partido em São Paulo, por exemplo, apenas 6,2 mil dos então 21 mil filiados compareceram para votar. A expectativa do PSDB é de que a proporção cresça devido ao acirramento da disputa, marcada por uma pesada campanha entre os pré-candidatos, com direito a grandes eventos, jingles, adesivos e vídeos de divulgação dos apoiadores de cada uma das campanhas.

Oficialmente, Matarazzo conta com o apoio de nomes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os senadores Aloysio Nunes e José Serra, além de toda a bancada paulistana do PSDB na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Vereadores – à exceção de Mário Covas Neto, por ser presidente do diretório da legenda.

Doria, por sua vez, tem o peso do governador do Estado, Geraldo Alckmin (uma das apostas tucanas para chegar ao Palácio do Planalto em 2018), ao seu lado, enquanto Tripoli vê o deputado federal Bruno Covas e José Anibal, presidente do Instituto Teotônio Vilela – órgão de formação política do partido –, ativos como nunca em campanha para que os tucanos abracem sua candidatura. 

A previsão é que o resultado seja conhecido às 18h deste domingo. 

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