Sem Dilma e em meio à maior crise de sua história, PT comemora hoje 36 anos

Por Nicolas Iory - iG São Paulo |

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Abalado por denúncias, impeachment e Lava Jato, partido tenta minimizar fase ruim com grande festa no Rio; ausência da presidente é motivo de "alívio" para lideranças

Em um momento delicado com o partido, Dilma deve manter distância da comemoração deste sábado (26)
Reprodução/Twitter
Em um momento delicado com o partido, Dilma deve manter distância da comemoração deste sábado (26)

Com direito a apresentações do sambista Diogo Nogueira e da bateria da Portela, o Partido dos Trabalhadores celebra 36 anos de existência neste sábado (27), em uma casa de eventos na zona portuária do Rio de Janeiro.

A festa se dá em meio à maior crise da história do partido, atingido mais uma vez pela Operação Lava Jato, que prendeu nesta semana o marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e Dilma Rousseff, em 2010 e 2014.

No mar de manchetes negativas para o PT, navegam ainda denúncias contra o ex-presidente Lula e a ressurreição dos pedidos de impeachment contra Dilma.

Apesar do clima desfavorável, o deputado Henrique Fontana (RS), líder do governo na Câmara, diz não ver motivos para o partido deixar de comemorar.

"Os problemas que o PT enfrenta hoje, infelizmente, fazem parte da vida de partidos que detêm fatias grandes do poder. Levantar a hipótese de que haja um constrangimento que impeça o partido de comemorar sua própria existência seria um pensamento fascista", alega o deputado.

Mas há quem acredite que a realização de uma festa possa "estimular o ódio" daqueles que criticam o petismo. Para a cientista política Vera Chaia, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), as comemorações pelo aniversário do PT deveriam ser em eventos mais reservados.

"Não é um momento de enterro, mas também não é para festas. Deveria ser uma reunião mais de reflexão, porque o partido atravessa um momento muito complicado. Vai comemorar o quê?", pondera Vera.

Além das más notícias envolvendo o partido, o PT lida ainda com divergências entre seus integrantes, com alas da legenda criticando políticas adotadas por Dilma Rousseff.

Dilma, inclusive, não deverá comparecer à festa deste sábado, conforme informa a agenda oficial divulgada na noite desta sexta-feira (26). Oficialmente, a razão para a ausência da presidente são os compromissos de sua agenda no Chile, onde participou de encontro com a presidente Michelle Bachelet. Mas muitos apostam que o real motivo para o não comparecimento da presidente da República na festa é justamente o racha entre o Planalto e as alas do PT descontentes com o governo.

Conforme apurou a reportagem do iG, algumas lideranças do partido encaram a provável ausência de Dilma com o sentimento de "alívio", por evitar que a presidente passe pelo "constrangimento" de ser alvo de críticas durante a festa.

Ao longo desta semana, o prefeito de Maricá e presidente do PT fluminense, Washington Quaquá, chegou a dizer que "não fazia questão" da presença de Dilma.

Mas nem mesmo essa questão encontra unidade dentro do partido. "Se a agenda dela [Dilma] permitir, seria ótimo que ela fosse à festa. Ela é uma das filiadas mais importantes que nós temos", defende o deputado Henrique Fontana.

Na avaliação da cientista política Vera Chaia, a ausência de Dilma na festa é uma escolha acertada da presidente. "Ela faz bem em não comparecer, para não acirrar ainda mais a divisão que existe no partido."

Pré-sal

Um dos pilares desse racha entre o PT e o Planalto nesta semana foi a aprovação do projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que retira a obrigatoriedade da Petrobras de participar da exploração do pré-sal.

Pelo Twitter, Jaques Wagner criticou projeto para o pré-sal: Ministro negociou votação nesta semana
Reprodução
Pelo Twitter, Jaques Wagner criticou projeto para o pré-sal: Ministro negociou votação nesta semana

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, atuou diretamente da negociação no Senado para aprovar o projeto, mesmo tendo usado uma rede social no último fim de semana para criticar a proposta.

"Não avalio que tenha um racha no partido. É natural que em um governo de coalizão, com diversos partidos, surjam momentos de tensão, de divergência. O governo optou por fazer uma inflexão para minimizar o prejuízo. A bancada do PT na Câmara vai entrar para a guerra em defesa da exclusividade da Petrobras no pré-sal", afirma Fontana.

Com ou sem racha, o PT lança mão de Diogo Nogueira e da Portela para que, ao menos por este sábado, as más notícias não atravessem o samba do partido.

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