Apesar da nova crise, PMDB não vai negociar mais cargos no governo, diz Picciani

Por Paula Pacheco - iG São Paulo |

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Líder do PMDB na Câmara afirma que apenas os deputados mais radicais do partido farão oposição mais feroz a Dilma

Após ser retirado da liderança no final de 2015, Picciani (RJ) foi reeleito na semana passada
Marcelo Camargo/ Agência Brasil - 16.2.16
Após ser retirado da liderança no final de 2015, Picciani (RJ) foi reeleito na semana passada

Assim que Leonardo Picciani (RJ) foi confrmado na liderança do PMDB na Câmara dos Deputados, os peedebistas que apoiavam Hugo Motta (PB) deram um aparente sinal de trégua. Mas não demorou para que o aval ao parlamentar carioca fosse quebrado por novas críticas ao governo, ainda mais fragilizado após a prisão de João Santana, marqueteiro do PT, ser decretada pela Justiça Federal, na última segunda-feira (22).

Para Picciani, a nova rebelião no partido poderá ser controlada, ainda que haja alguma dificuldade. "Vamos buscar o convencimento do maior número possível de deputados, mas alguns dificilmente mudarão de posição", admite o parlamentar. 

Pelos cálculos de Picciani, o grupo de opositores no PMDB na Câmara tem 14 nomes. "Apenas esses mais radicais farão uma oposição mais feroz", avalia.

Em uma das crises no relacionamento entre o PMDB e o governo, o partido aproveitou para negociar mais cargos com a promessa de garantir a governabilidade. Apesar de o Palácio do Planalto ainda precisar de apoio para aprovar projetos importantes no Congresso, o líder do PMDB na Câmara diz que não haverá a negociação de mais postos no governo, nem mesmo no segundo escalão: "Não há reivindicação da bancada nesse sentido, nem no segundo escalão".

A eleição de Picciani foi das mais disputadas deste ano legislativo. Hugo Mota (que se declara aliado do governo) foi apoiado pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha, que já tentou tirá-lo do cargo por conta de sua proximidade com o governo. Para o parlamentar, a temperatura nesta disputa aumentou porque o momento político tem vários temas que geram divisão de opinião.

"Agora começo a dialogar com os que não votaram em mim. Tenho boa relação, me dou bem. Os temas em discussão não são de fato para a unificação, são controversos. Sei que enfrentarei diferentes posicionamentos. Por isso a importância do diálogo", explica.

Picciani sabe que não poderá contar com uma unanimidade, mas diz esperar "uma relação respeitosa". "É necessário que o acirramento dos temas não seja levado para o interior da bancada e que se busque o convencimento político. Mas meu compromisso é com a bancada do PMDB e a posição da maioria", conclui o deputado.

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