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Protesto de grupos de bandeiras opostas ocorreu em frente ao fórum onde petista prestaria depoimento nesta quarta-feira

Manifestante da Central Única dos Trabalhadores é levado por colegas após briga com anti-PT
Leonardo Benassatto/Futura Press - 17.02.2016
Manifestante da Central Única dos Trabalhadores é levado por colegas após briga com anti-PT

Não tinha como funcionar – e, de fato, não funcionou. No dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestaria depoimento em fórum na capital paulista, manifestantes defensores e contrários ao petista trocaram ofensas e agressões no momento em que realizavam protestos de bandeiras opostas exatamente no mesmo local. A Polícia Militar chegou a usar bombas de efeito moral e gás de pimenta para conter a violência entre os grupos.

Organizados em frente ao Fórum da Barra Funda, na zona oeste da cidade, os atos foram convocados para esta quarta-feira (17) porque Lula e sua mulher, Marisa Letícia, prestariam na data depoimento sobre um apartamento tríplex no litoral paulista supostamente adquirido por meios ilícitos. O testemunho foi suspenso devido a uma liminar do Conselho Nacional do Ministério Público que acatou requerimento do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), aliado do ex-presidente. O promotor Cassio Roberto Conserino afirmou que irá pedir a revisão da suspensão. 

Policiais tiveram de fazer duas barreiras entre os grupos de manifestantes, representados por alguns dos nomes que vêm protagonizando os protestos contra e pró-impeachment de Dilma Rousseff no País desde o ano passado. Grades foram colocadas entre cada um deles, afastados por cerca de 30 metros.

Ainda assim, a todo momento um manifestante de um ou do outro lado conseguia furar o bloqueio, chegando ao outro lado para provocar com xingamentos e palavras de ordem. No enfrentamento, objetos como pedras e ovos foram arremessados. 

Em dado momento, o grupo defensor de Lula conseguiu furar o bloqueio e chegar aos anti-Lula, que tentavam inflar um boneco gigante do "pixuleco" , o mesmo que chegou a ser rasgado em atos no ano passado. Foi quando a situação se intensificou de vez, com manifestantes trocando socos e pontapés. Ferido com cortes na cabeça, um deles precisou ser atendido no Pronto Socorro do fórum, mas foi liberado na sequência.

Os manifestantes começaram a lotar a calçada em frente ao fórum por volta das 7h. Com bandeiras do Brasil e bonecos do "pixuleco" – símbolo dos atos recentes contra a presidente que mostra Lula como presidiário, batizado com o termo que seria usado pelo ex-tesoureiro do PT Pedro Vaccari para se referir a propinas –, 43 grupos favoráveis ao impeachment empunhavam cartazes em apoio ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, e faziam barulho com chocalhos, buzinas e apitos.

Do outro lado, em sua maioria vestidos de vermelho e com grandes bandeirões, militantes do Partido dos Trabalhadores, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de outras centrais sindicais gritavam em apoio de Lula, usando palavras de ordem típicas dos atos em defesa do PT. 

Procurada pela reportagem, a PM não forneceu um balanço do número de presos ou feridos no ato, tampouco quantas pessoas fizeram parte dele.

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