Candidata do Partido da Mulher em São Paulo ataca ensino de gêneros em escolas

Por Nicolas Iory - iG São Paulo |

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Marcada por polêmicas, ex-diretora da Anac Denise Abreu critica "doutrinação" de crianças e propostas "comunistas" de Haddad; candidata é entusiasta de panelaços contra Dilma

Histórico de fotos de Denise Abreu no Facebook mostra apoio a Aécio e crítica ao MST
Reprodução/Facebook
Histórico de fotos de Denise Abreu no Facebook mostra apoio a Aécio e crítica ao MST

A já inflada corrida eleitoral paulistana ganhou um novo rosto. A mais nova postulante à prefeitura de São Paulo é a ex-diretora da Anac Denise Abreu, que lançou sua pré-candidatura na semana passada pelo recém-criado Partido da Mulher Brasileira (PMB).

Denise se apresenta como uma "servidora pública que se preparou ao longo de 30 anos para se mostrar como alguém que valoriza a meritocracia e entende que o Estado não deve ser inflado, mas sim manter somente as secretarias voltadas efetivamente à prestação de serviços".

Candidata não eleita à deputada federal em 2014 pelo Partido Ecológico Nacional (PEN), Denise teve mais holofotes em episódios anteriores às candidaturas do que propriamente pela sua atuação política.

Em 2007, quando ainda diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise foi flagrada fumando um charuto durante uma festa em Salvador num momento em que o País enfrentava um caos aéreo provocado pela greve de controladores de voo.

No ano seguinte, o Ministério Público Federal pediu a condenação de Denise após a conclusão das investigações acerca do acidente com o voo 3054 da TAM, que deixou 199 mortos após o avião escapar da pista do aeroporto de Congonhas.

Hoje a pré-candidata do PMB diminui a relevância dos dois episódios em sua trajetória.

"Eu não fumo charuto, mas sou extremamente bem educada. O dono daquela festa me ofereceu, eu dei um trago e joguei fora. Sobre a acusação após o acidente da TAM, já fui absolvida na Justiça. E na sentença o juiz deixa claro que houve uma grande trama para assassinar a minha reputação. Isso tudo faz parte de um período da minha vida que foi muito produtivo para eu entender como o PT atua."

Manifestantes a favor da inclusão das identidades de gênero ao Plano Municipal de Educação (PME), que foi votado em agosto, em frente à Câmara Municipal de São Paulo
Marivaldo Oliveira/Futura Press - 11.08.15
Manifestantes a favor da inclusão das identidades de gênero ao Plano Municipal de Educação (PME), que foi votado em agosto, em frente à Câmara Municipal de São Paulo

Abaixo o comunismo

Crítica assídua do Partido dos Trabalhadores – Denise é entusiasta assumida dos panelaços contra a presidente Dilma Rousseff –, a pré-candidata e moradora do bairro do Butantã dispara contra a qualidade do ensino promovido pelas gestões petistas.

"O governo federal tenta substituir o curriculo clássico, aquele que me fez falar o português correto, sem falar 'presidenta' [modo como a presidente Dilma prefere ser tratada]. Eles optaram por trazer uma grade de ensino só com pensamentos da esquerda, é uma doutrinação", critica Denise.

A recém-filiada ao Partido da Mulher Brasileira comemora a retirada de questões de gênero do Plano Municipal de Ensino, proposta que foi vetada na Câmara dos Vereadores no ano passado. 

"Não é preciso ensinar a uma criança o que é um homem e o que é uma mulher. O PT subestima a capacidade intelectual do brasileiro. Essa questão de gênero foi trazida pelo MEC em cartilhas absurdas, mas a educação moral é algo que cabe ao pai e a mãe. Só em países comunistas que isso é ensinado na escola."

Para Denise Abreu, Fernando Haddad pinta cidade de vermelho para caracterizá-la como
Rachel Schein/BBC
Para Denise Abreu, Fernando Haddad pinta cidade de vermelho para caracterizá-la como "comunista"

O prefeito Fernando Haddad, poupado dos ataques de outro reconhecido pré-candidato anti-petista, João Dória Jr. (PSDB), não recebe a mesma trégua por parte de Denise. Em seu leque de críticas ao atual prefeito ilustram os serviços de saúde, a redução das velocidades máximas em vias da cidade e a criação de ciclovias.

"Ele [Haddad] criou ciclovias que só serviram para pintar a cidade de vermelho – que é um símbolo comunista. Ele é um prefeito comunista e pintou assim justamente para caracterizar a cidade como comunista", teoriza Denise.

"A situação da cidade é tão caótica que seria bastante irresponsável eu apontar um problema só. A saúde não funciona como deveria então a população não tem o menor retorno dos impostos que paga. Com relação ao transporte público, estamos em situação de caos absoluto e ele ainda trava a cidade colocando velocidade máxima de 50 km/h, além de lotar essa cidade de radares", completa.

Quando perguntada sobre suas propostas para a capital paulista, Denise não detalha seus projetos, mas indica que a área da educação teria ênfase em um eventual mandato.

"Temos um foco intenso em cima da educação. As creches e escolas do ensino fundamental não funcionam. Não adianta as creches funcionarem como depósito de criança. Temos um projeto de extrema responsabilidade para apresentar dentro do nosso programa de governo. Precisamos estancar o avanço desse caos na cidade."

Sobre suas chances na disputa eleitoral, Denise é categórica: "Não levo em consideração a possibilidade de não estar no segundo turno. Só depois do resultado que a gente fará essa avaliação [sobre apoiar outro candidato]. O partido veio para disputar o páreo de verdade", finaliza Denise.

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