Pré-candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, deputado tenta superar campanha frustrante da última eleição

O pré-candidatos do Partido Progressista para disputar a prefeitura paulistananas eleições de 2016
Divulgação
O pré-candidatos do Partido Progressista para disputar a prefeitura paulistananas eleições de 2016

Pré-candidato à prefeitura de São Paulo pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB), o deputado federal Celso Russomanno já tem uma aposta para evitar que as eleições deste ano sejam um repeteco do último pleito pelo governo municipal paulistano que disputou, quatro anos atrás: mais tempo de exposição na televisão.

Em 2012, Russomanno aparecia como favorito para conquistar o cargo hoje ocupado por Fernando Haddad (PT). Pesquisas de intenção de voto divulgadas às vésperas das eleições sempre o mostraram com ampla vantagem sobre os adversários. No entanto, na hora do voto tudo mudou, e o jornalista sequer chegou ao segundo turno – disputado entre o atual prefeito e o tucano José Serra. 

Para este ano, a história, ao menos parte dela, começa a se repetir. Mais uma vez, o deputado inicia a corrida liderando na preferência do eleitorado, de acordo com as pesquisas de opinião. Na mais recente do Instituto Datafolha, Russomanno aparece com 34% das intenções de voto, porcentagem amplamente superior à de seus principais adversários – Marta Suplicy (PMDB), Fernando Haddad (PT) e, até então, o apresentador José Luiz Datena, que anunciou sua desistência de concorrer à prefeitura recentemente. 

O presidente do PP-SP, Guilherme Mussi, ao lado de Datena: desistência meses antes do pleito
Facebook/Reprodução
O presidente do PP-SP, Guilherme Mussi, ao lado de Datena: desistência meses antes do pleito

De acordo com Russomanno, o pouco tempo em que aparecia na televisão para divulgar suas propostas foi o que o levou a perder votos em 2012. Devido à falta de alianças com outros partidos, a propaganda em horário eleitoral do então candidato tinha um total de dois minutos contra oito da de Serra, oito da de Haddad e seis de Gabriel Chalita (PMDB) – o que, consequentemente, também o levava a ter a mesma proporção a menos de inserções comerciais de 30 segundos ao longo do dia do que os concorrentes.

"As alianças não podem ser anunciadas agora por uma questão de estratégia. O momento para fazê-lo será na convenção do partido, quando a candidatura realmente será oficializada, em agosto. Mas posso garantir que passei os últimos anos costurando apoio, já tenho seis partidos fechados comigo e isso me levará, a princípio, a ter ao menos três vezes mais tempo na televisão do que na última eleição", diz ao iG o pré-candidato do PRB. Por ora, ele só revela o nome de um desses partidos, o PTB, de Campos Machado.

"Na minha visão, o que mais pesa para o eleitor são as inserções ao longo do dia, de 30 segundos, nas quais é possível apresentar as propostas que temos sem a chatice da propaganda eleitoral gratuita. E a visibilidade que eu tinha era muito pequena quatro anos atrás. Isso foi uma questão básica para a minha derrota. Quando você tem três candidatos atacando um alvo 42 vezes por dia, e este alvo só tem quatro oportunidades para se defender, fica impossível. Desta vez, terei tempo suficiente para rebater as críticas, que já começaram. Mais uma vez, sou o principal alvo desta eleição."

Além do maior tempo para expor seu programa de governo e rebater os ataques, Russomanno também vê outra vantagem para favorecê-lo no novo pleito: a repentina desistência de Datena  de disputar a prefeitura pelo Partido Progressista (PP). A justificativa do apresentador para se desfiliar do partido ao qual meses antes havia se juntado foram acusações da Procuradoria-Geral da República de que políticos da sigla receberam propina que totaliza R$ 357 milhões, investigados na Operação Lava Jato.

Russomanno vota ao lado de um dos filhos nas eleições de 2012: ele não passou ao segundo turno
Futura Press
Russomanno vota ao lado de um dos filhos nas eleições de 2012: ele não passou ao segundo turno

De acordo com pesquisa do Instituto Paraná divulgada em dezembro passado, Russomanno saltaria de 36% para 40% nas intenções de voto em um cenário em que Datena não disputasse as eleições – números exaltados pelo deputado. 

"Os eleitores querem mudança, uma oxigenação na política, e essa pesquisa mostra que os votos que iam para a novidade voltam para outra novidade", aponta o pré-candidato do PP. "Mas, apesar da melhora para mim, perdemos com a saída do Datena. Em um primeiro momento, ela me beneficia, mas a sociedade fica com o prejuízo. Quanto mais candidatos com ideias novas tivermos, melhor para a democracia."

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