Justificativa de Datena para desistir de prefeitura irrita presidente do PP-SP

Por David Shalom - iG São Paulo |

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Guilherme Mussi diz que apresentador não precisava citar corrupção na sigla ao anunciar que deixaria eleições de 2016

O deputado federal Guilherme Mussi ao lado do apresentador Datena: PP desistiu da disputa
Facebook/Reprodução
O deputado federal Guilherme Mussi ao lado do apresentador Datena: PP desistiu da disputa

Presidente do diretório estadual paulista do Partido Progressista (PP-SP) e um dos responsáveis por levar José Luiz Datena a anunciar que defenderia a sigla na disputa pela prefeitura de São Paulo, o deputado federal Guilherme Mussi ficou claramente incomodado com a desistência do apresentador de disputar o governo municipal nas eleições deste ano. 

Em entrevista ao iG, Mussi opinou que, apesar de não ter ficado exatamente surpreso com o anúncio – "já que, nas nossas conversas, ele sempre deixou claro que podia tanto oficializar quanto recuar da pré-candidatura" –, preferiria que Datena não tivesse usado a justificativa que usou para deixar o pleito, na qual citou denúncia da Procuradoria-Geral da República de que parlamentares do PP receberam um total de R$ 357 milhões em propina. 

"Acho que ele não precisava entrar nesse terreno, podia só ter falado que não queria mais participar e pronto", diz Mussi. "A maioria dos partidos políticos do Brasil têm alguma acusação de envolvimento em escândalos, seja na Lava Jato, seja em outras investigações. O Brasil vive hoje este momento muito ruim e me parece que o Datena não se sentiu à vontade de entrar nele, viu que não conseguiria mudar as coisas. Ele tem total direito de mudar de ideia. Eu o admiro e ele tem a envergadura para opinar como bem entender. Mas não precisava ter dado a justificativa que deu."

A decisão do apresentador do "Brasil Urgente" foi anunciada pelo próprio Datena, em programa de rádio matutino transmitido ao vivo pela estação Bradesco Esportes FM, voltada para São Paulo e Rio de Janeiro, na manhã de segunda-feira (17).

Na declaração, feita no dia seguinte à divulgação pelo jornal "O Estado de S. Paulo" da denúncia da PGR a respeito dos números da corrupção do PP, ele afirmou que não poderia permanecer em um partido que roubou tanto dinheiro da Petrobras. 

Mussi, Datena e o deputado estadual Olim no encontro que oficializou pré-candidatura, em julho
Divulgação
Mussi, Datena e o deputado estadual Olim no encontro que oficializou pré-candidatura, em julho

A reportagem, no entanto, só trouxe a soma dos valores totais desviados por parlamentares do partido. Desde março passado já eram conhecidos os nomes de políticos investigados por desvios na Lava Jato pela Procuradoria, quando Rodrigo Janot divulgou uma lista com 54 pessoas, entre elas poderosos do porte do deputado Eduardo Cunha e do senador Renan Calheiros, ambos do PMDB.

Divulgada quatro meses antes de Datena anunciar sua filiação ao partido, a lista também chamava a atenção pelo número de políticos de um mesmo partido, o próprio PP, que estariam envolvidos no escândalo. No total, 31 parlamentares da sigla, também conhecida por ter Paulo Maluf entre seus mais conhecidos filiados, apareciam como investigados por corrupção. 

Disputa acirrada
Apesar de ter sido feita antes da confirmação da candidatura, já que estas só são oficializadas nas convenções nacionais dos partidos, neste primeiro semestre, a decisão de Datena já altera de forma significativa a configuração de votos para as próximas eleições.

As mais recentes pesquisas de intenção de voto, divulgadas no final do ano passado pelo Instituto Datafolha, mostravam dois cenários possíveis para o pleito, um com o vereador Andrea Matarazzo e outro com o empresário João Doria defendendo o PSDB.

Foto postada por Mussi em novembro mostra, segundo ele, jantar para discutir propostas a SP
Facebook/Reprodução
Foto postada por Mussi em novembro mostra, segundo ele, jantar para discutir propostas a SP

No primeiro, Datena aparecia na segunda colocação, empatado com Marta Suplicy (PMDB), com um total de 13% das intenções de voto. No outro, em terceiro, com 12%, ao lado do atual prefeito da cidade, o petista Fernando Haddad – Russomanno liderava, com 36%.

"O Datena seria um candidato muito bom, que iria para a disputa com boas intenções, boas ideias. Assim, o partido perde uma oportunidade ímpar de ser um protagonista nas próximas eleições", lamenta Mussi. "É uma grande perda, porque ele seria um candidato muito competitivo, seria interessante vê-lo no pleito."

Além disso, o presidente estadual do PP admite ser quase certo que o partido desista de lançar candidatura após a desistência de Datena, o que deve levar seu eleitorado a optar por outros nomes na disputa. 

"De alguma forma, acho que todos os candidatos devem se beneficiar, porque o Datena tinha votos de todas as classes sociais, não era um candidato segmentado", aponta Mussi. "Agora, vamos estudar uma aliança com o candidato do partido que melhor se encaixa com o que o PP pensa, avaliando aquele que tem mais a ver com o nosso projeto, e declarar um apoio futuro."

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