Com crítica à política econômica e a Dilma, senador do PT promete fazer oposição

Por Paulo Cruz - iG Brasília |

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Paulo Paim, que recuou da intenção de deixar o PT, diz que “governo tem de parar de atirar no andar de baixo”

Paulo Paim, senador petista, promete pressionar o governo pela mudança na política econômica
Edilson Rodrigues/ Agência Senado - 10.9.15
Paulo Paim, senador petista, promete pressionar o governo pela mudança na política econômica

Após mudar de ideia e decidir continuar o PT, o senador Paulo Paim (RS) diz que pretende difundir a sua insatisfação com o governo entre os colegas no Congresso Nacional. O objetivo é conseguir apoio entre os “descontentes com o rumo do governo” visando criar uma pressão para que a política econômica mude.

O senador, que chegou a dizer que tinha “90% de chance” de sair do PT, voltou atrás após se reunir com dirigentes do partido na última segunda-feira (11). Depois de ser sondado pela Rede e pelo PSB, o senador diz que só aceitou continuar na legenda porque os dirigentes locais concordaram com as críticas dele e decidiram apoiá-las publicamente.

Após o encontro, os integrantes da executiva estadual do PT divulgaram uma nota conjunta na qual afirmam que o ajuste proposto pelo governo federal não corresponde ao programa das eleições presidenciais de 2014, e avisaram que nas próximas eleições os detentores de mandato terão preferência para se candidatarem à reeleição. Desse modo, Paim poderá ser beneficiado em 2018, quando termina seu mandato de senador.

Um dos erros do governo atual que impedem o cumprimento das promessas da eleição, segundo o senador, é não discutir outras saídas para a crise econômica além das que ferem direitos trabalhistas. Paim sugere, como exemplo, o combate à sonegação de impostos. “Por que não debate com a sociedade a tributação de grandes heranças? O governo tem de ter essa visão mais macro e parar de atirar no andar de baixo”, provoca.

O senador também lamenta a falta de comunicação com as próprias bases. “Uma das coisas fundamentais pra mim é o dialogo com os movimentos sociais. Não pode anunciar que vai ter reforma da previdência, reforma trabalhista, sem conversar antes. Não se dialoga com a sociedade, com o Parlamento, nem com a base. Ficamos sabendo pela imprensa", queixa-se.

Outra crítica é quanto aos vetos do governo a projetos de interesse da sociedade. “Eu brigo para aprovar um projeto, articulo com gregos e troianos. Depois ela [presidente Dilma] simplesmente veta o projeto, que é da base, do governo. E depois não quer que derrube”, afirma.

A política econômica traçada por Nelson Barbosa é criticada pelo senador petista
Marcelo Camargo/ABr
A política econômica traçada por Nelson Barbosa é criticada pelo senador petista

“Ou o governo muda ou mudamos. Isso [esse movimento de saída] teve respaldo muito positivo em todo País. O PT do Rio Grande do Sul disse que avalizava tudo que eu disse. Isso mostra que ou o governo muda, ou o PT pode mudar de opinião”, afirma.

Paulo Paim diz que após a decisão de permanecer no partido, recebeu ligações e mensagens com apoio de diferentes lideranças, sinalizando que “o PT e outros partidos da própria base querem uma mudança de rumo”. Ao retornar a Brasília depois do recesso do Legislativo, o senador pretende conversar com parlamentares do PT e de outros partidos em busca de “acertar o rumo”.

“Vou pedir espaço na minha própria bancada, vou me reunir com um grupo de 30 senadores do qual participo. Espero que a posição seja refletida. Não por causa da minha saída, mas essa reflexão que estamos fazendo é uma questão de interesse nacional”, adianta.

De acordo com Paim, o fato de as eleições majoritárias em 2018 priorizarem os ocupantes atuais do mandato é uma simples questão de respeito ao estatuto do partido. Já sobre as eleições presidenciais de 2018, o senador prevê: “Se mantiver essa política econômica, quem for candidato do PT não apoiará. Entre as reflexões que recebi [dos dirigentes locais] está a que se tivermos de sair para ficar do lado de tudo isso que nós defendemos, então sairemos em bloco, e não individualmente."


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