Fundadora da Rede Sustentabilidade, senadora afirma que, diferente do que diz governo, impeachment não é golpe

A senadora Marina Silva (AC), que intensificou discurso após um ano distante dos holofotes
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A senadora Marina Silva (AC), que intensificou discurso após um ano distante dos holofotes

Fundadora do partido Rede Sustentabilidade e um dos principais nomes a concorrer à Presidência da República nas eleições de 2014, a senadora Marina Silva (AC) deixou de lado a discrição que tem sido sua marca nos últimos meses e defendeu a cassação de Dilma Rousseff e de seu vice-presidente, Michel Temer, por meio de processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em entrevista à "Rádio Gaúcha", concedida na manhã desta quinta-feira (7), Marina ainda destacou que, ao contrário do que o governo federal tem bradado desde que Eduardo Cunha acatou o pedido de processo contra Dilma, "o impeachment não é golpe, está previsto na Constituição e já foi até feito em relação ao governo [Fernando] Collor".

"No meu entendimento, o melhor caminho para o Brasil é o processo que está no TSE, porque lá teria a cassação da chapa, se forem comprovadas as graves denúncias de que o dinheiro da corrupção foi utilizado para a campanha do vice-presidente e da presidente da República", opinou Marina. 

"Tanto o PT quanto o PMDB, tanto vice-presidente quanto presidente, são responsáveis pela crise e pelos desmandos que estão acontecendo em nosso país, vide a Petrobras. E, do lado da presidente, temos o tesoureiro de seu partido [João Vaccari] e o líder de seu governo no Senado [Delcídio do Amaral] sendo envolvidos e presos. São faces da mesma moeda e claro que defendemos que se dê encaminhamento ao processo que está tramitando no TSE."

Ao longo da entrevista de pouco mais de 20 minutos, Marina ressaltou que, apesar de Dilma ter vencido as eleições por meio da decisão da "sociedade brasileira", a campanha da petista "extrapolou todos os limites da ética em relação ao processo de desconstrução do projeto político que eu estava representando", e ressaltou que a presidente "não contou a verdade" na eleição, citando a grave crise econômica que o País enfrenta desde o ano passado. 

"Todos os países do mundo correram para resolver o problema da crise, só o Brasil que não, que disse que era só uma marolinha, que não tinha crise. Agora, quando os países começam a se recuperar, o Brasil vive uma das piores situações", criticou. "Mais do que o problema econômico, temos um problema político, de uma presidente que não tem mais liderança no País, tem uma baixíssima popularidade, não tem maioria no Congresso."

Apesar das pesadas críticas e do discurso com claro intuito de angariar apoio de eleitores, Marina ainda não confirmou se voltará a ser candidata à Presidência da República nas próximas eleições. Pesquisa do Instituto Datafolha de dezembro mostra a senadora entre os favoritos para vencer o pleito – com índices de votos muito próximos aos do tucano Aécio Neves e do petista Luíz Inácio Lula da Silva. 

Veja imagens do último protesto pelo impeachment, realizado em dezembro:


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