Aécio faz discurso morno após anúncio de abertura de processo de impeachment

Por Marcel Frota - iG Brasília | - Atualizada às

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Presidente nacional do PSDB, senador que passou a apoiar grupos que pedem queda da petista falou à imprensa após decisão e disse tê-la recebido com "absoluta naturalidade"

O senador Aécio Neves, que participou de protesto recente pelo impeachment da presidente
Reprodução/Twitter oficial Aécio Neves - 16.8.15
O senador Aécio Neves, que participou de protesto recente pelo impeachment da presidente

Apesar de ter aderido de forma incisiva aos protestos dos grupos que pedem a saída de Dilma Rousseff da Presidência da República, Aécio Neves (PSDB-MG) fez um discurso morno, quase totalmente apagado, após o anúncio da abertura do processo de impeachment contra a petista, no início da noite desta quarta-feira (2).

Derrotado pela petista nas eleições do ano passado, Aécio, que nos últimos meses têm se dedicado a atacar o governo petista dia após dia, afirmou, de forma burocrática, não ter se surpreendido com a notícia, visto que, para ele, o texto protocolado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale é "extremamente consistente". 

"O que é importante que fique claro é que essa é uma previsão constitucional. E, para nós, da oposição, qualquer saída para este impasse em que a irresponsabilidade do governo do PT mergulhou o País se dará dentro daquilo que a Constituição determina", afirmou à imprensa, na noite desta quarta-feira (2).

"Portanto, recebemos esta decisão do presidente da Câmara [Cunha] com absoluta naturalidade. A peça produzida justifica essa decisão. Os prazos regimentais deverão ser observados. O amplo direito de defesa, também, preservado, mas o que eu posso dizer é que há um crescimento na sociedade brasileira para iniciarmos um novo momento no Brasil de retomada da confiança, de retomada dos investimentos, do crescimento e do emprego. Isso terá de ser feito sem o atual governo."

"Não é algo que me traga felicidade"
No discurso, Aécio procurou a todo momento reforçar o discurso de que pedidos de impeachment são constitucionais e que não há nenhuma ruptura com a ordem institucional a partir da aceitação do pedido de impedimento de Dilma, ao contrário do que brada a oposição. 

“Não é algo que me traga felicidade [o processo de impedimento]. Estamos cumprindo com o nosso dever. Eu sempre disse que não cabe à oposição definir se a presidente vai sair ou não do cargo, se haverá impeachment ou não. Não temos sequer número para isso. O nosso papel, e esse cumprimos adequadamente, é, em primeiro lugar, blindar as instituições. Garantir que o tribunal de contas cumprisse o seu papel, como cumpriu por maiores que fossem os constrangimentos do governo. Garantir que o TSE cumpra seu papel como vem cumprindo, investigando se houve dinheiro de propina na campanha presidencial. Esse é o nosso papel”, disse o senador mineiro.

Assista ao anúncio de Cunha sobre a abertura do pedido de impeachment:

Ele abriu a coletiva de imprensa reforçando que não há golpismo por trás do pedido de Impeachment de Dilma. “É preciso que fique claro que o impeachment é uma previsão Constitucional. Ocorreu no passado no Brasil sem qualquer ruptura institucional. Portanto, essa decisão tem de ser recebida com absoluta serenidade. Há no regimento da Casa um procedimento que deve ser cumprido a partir da instalação da comissão que vai analisar esse processo, que a meu ver, será julgado com base em dois pilares fundamentais”, afirmou ele.

“A peça de Miguel Reale e Hélio Bicudo é extremamente sólida e demonstra de forma cabal e definitiva que a presidente da República cometeu crime de responsabilidade. E o outro pilar é o sentimento da sociedade brasileira. Há um sentimento crescente no Brasil hoje de que a presidente da República, pelos inúmeros equívocos que cometeu, pelas mentiras sem limites com as quais conduziu sua campanha, perdeu as condições de nos tirar dessa crise na qual estamos mergulhados."

Analisando a conjuntura geral, Aécio procurou jogar no colo do governo a responsabilidade pela deflagração do pedido de Impeachment. “Ninguém torce para que um país viva nas condições que o Brasil está vivendo hoje. Portanto, a responsabilidade pelo início do Impeachment está longe de ser da oposição. É desse governo, pelos seus equívocos, pelas suas irresponsabilidades e pela crise sem precedentes. Econômica, moral e social em que mergulhou o País”.

Segundo Aécio, o anúncio de Cunha não mudará a posição que o PSDB tem em relação ao processo movido contra o presidente da Câmara no Conselho de Ética e que, em última instância, poderia resultar na cassação dele: “O PSDB continua tendo a posição que teve no Conselho de Ética e obviamente esperava que essa decisão fosse tomada [...] O Brasil vai sobreviver a tudo isso. O Brasil é muito mais forte do que governos efêmeros como esse que aí está, acredito, passageiro", resumiu.

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