Dilma revida ataque de Cunha e lembra: "Não tenho nenhuma conta no exterior"

Por Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

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Em pronunciamento, presidente da República usa como estratégia o ataque ao peemedebista e diz tratar-se de uma revanche do presidente da Câmara ao fim do apoio do PT

Dilma Rousseff partiu para o ataque depois que o presidente da Câmara decidiu pela guerra declarada
Roberto Stuckert Filho/PR - 3.12.15
Dilma Rousseff partiu para o ataque depois que o presidente da Câmara decidiu pela guerra declarada

A presidente Dilma Rousseff se prepara para fazer um pronunciamento após Eduardo Cunha, chefe da Câmara dos Deputados, anunciar que acatou o pedido de impeachment feito por Hélio Bicudo, Miguel Reali Jr e Janaína Paschoal.

O discurso foi costurado com a ajuda de Jaques Wagner, da Casa Civil, e José Eduardo Cardozo, da Justiça.

Dilma usou entre seus argumentos o fato de, segundo ela, não haver razão política ou jurídica para seu impeachmet. Ela tratou a decisão de Cunha como um achaque ao governo depois de o Partido dos Trabalhadores (PT) ter tirado o apoio ao presidente da Câmara, julgado no Conselho de Ética da Casa por falta de decoro parlamentar depois de ter, suportamente, mentido sobre uma conta no exterior. Trataria-se, segundo avaliação do Planalto, de revanche.

Dilma fez uma séria de afirmações relacionadas a Cunha e as acusações feitas a ele nos últimos tempos. "São inconsistentes esses pedidos. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não possuo conta no exterior, nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses. Tenho convicção e absoluta tranquilidade quanto a improcedência desse pedido, quanto bem pelo seu justo arquivamento

Dilma faz pronunciamento em que ataca Eduardo Cunha
Luciana Lima/iG Brasília - 2.12.15
Dilma faz pronunciamento em que ataca Eduardo Cunha

Dilma disse ainda: "Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Meu passado e meu presente atestam minha idoneidade e meu inquestional compromisso com as leis".

Os bastidores

Na última quinta-feira (26), José Eduardo Cardozo entrou em contato com Dilma e avisou que Cunha teria dado uma pista em uma entrevista a jornalistas de que partiria para cima da presidente e aceitaria o pedido de impeachment. Nesta quarta-feira (2), Jaques Wagner teria sido informado sobre parlamentares sobre a decisão do presidente da Câmara. Rapidamente telefonou para Dilma e se juntou aos seus principais conselheiros para definir a estratégia de reação do Planalto.

No pronunciamento, Dilma se posicionou ao lado de alguns dos principais ministros. Uma das presenças mais emblemáticas foi a de Henrique Eduardo Alves. Titular do Turismo, pasta sem grande relevância política, Alves é da cota do PMDB no governo e foi responsável pela ascensão de Cunha, então líder do PMDB, quando presidiu a Câmara. Uma das grandes interrogações agora é como ficará a relação do partido com o governo.

Leia o discurso na íntegra:

Bom, boa noite a todos. Eu dirijo, agora, uma palavra de esclarecimento a todas as brasileiras e a todos os brasileiros.

No dia de hoje, vocês viram, foi aprovado pelo Congresso Nacional o Projeto de Lei que atualiza a meta fiscal, permitindo a continuidade dos serviços públicos fundamentais para todos os brasileiros.

Ainda hoje, eu recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro. São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam este pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais. Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas, na busca de satisfazer meus interesses. Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromisso com as leis e a coisa pública.

Nos últimos tempos, em especial nos últimos dias, a imprensa noticiou que haveria interesse na barganha dos votos de membros da base governista no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em troca, haveria o arquivamento dos pedidos de impeachment. Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha, muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu País, bloqueiam a Justiça ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública.

Tenho convicção e absoluta tranquilidade quanto à improcedência desse pedido, bem como quanto ao seu justo arquivamento. Não podemos deixar as conveniências e os interesses indefensáveis abalarem a democracia e a estabilidade de nosso País. Devemos ter tranquilidade e confiar nas nossas instituições e no Estado Democrático de Direito.

Obrigada a todos vocês e muito boa noite.



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