Governo investe no namoro com PSB para evitar impeachment

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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À revelia da direção do partido, bancada socialista, rompida com o governo desde a pré-campanha presidencial, já analisa reposicionamento que evite saída de Dilma Rousseff

Atrair o PSB de volta para a base do governo será o próximo passo a ser seguido pela articulação política do Planalto, preocupada, principalmente, em formar maioria na Câmara e no Senado, contra os pedidos de impeachment de presidente Dilma Rousseff.

No último mês, Dilma enviou emissários ao partido, antes da reforma, e até sinalizou com um ministério em articulação com os três governadores do partido, Rodrigo Rollemberg (DF), Reinado Coutinho (PB) e Paulo Câmara (PE), recebidos no Planalto pela presidente.

No último dia 30 de setembro, Dilma se encontrou no Palácio do Planalto com os governadores do PSB Ricardo Coutinho (PB), Rodrigo Rollemberg (DF) e Paulo Câmara (PE)
Roberto Stuckert Filho/PR - 30.9.15
No último dia 30 de setembro, Dilma se encontrou no Palácio do Planalto com os governadores do PSB Ricardo Coutinho (PB), Rodrigo Rollemberg (DF) e Paulo Câmara (PE)

A investida com o cargo, no entanto, não foi eficiente para trazer os socialistas. O governo, agora, aposta agora nas conversas sobre a eminência de um “golpe da direita” e quer contar com os votos do partido contra um eventual processo de impeachment.

A bancada do partido na Câmara cogita a reaproximação. O líder, deputado Fernando Bezerra Coelho Filho (PE), chamou os deputados para um café da manhã, nesta quarta-feira (7), fora da Câmara, para discutir os rumos da bancada. A reaproximação com o governo é um dos principais assuntos a ser tratado.

Integrantes da bancada defendem um “reposicionamento” do partido, agora, contra o impeachment para uma eventual “conversa futura” com o governo.

O líder do partido na Câmara tem sido uma interlocução importante. Ele é filho do ex-ministro Fernando Bezerra, que ocupou a pasta de Integração Nacional no primeiro mandato de Dilma, indicado pelo então presidente do partido Eduardo Campos, que foi candidato a presidência em 2014 e morreu em um acidente de avião.

O PSB rompeu com o governo em 2013 para lançar a campanha de Campos. Na época, o partido contou com dissidências importantes como a dos irmãos Cid e Ciro Gomes, que levaram com eles, para o PROS, todo partido organizado no Ceará.

Já a direção do partido é contrária à reaproximação, no entanto, tem pouca influência sobre a bancada. O presidente da legenda, Carlos Siqueira, mantém o discurso de que o partido busca uma linha de “centro esquerda” e de “independência”. Já a bancada, nas contas do Planalto, tem pelo menos 18, de seus 31 deputados a favor de Dilma.

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O enfraquecimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), perante os deputados, tem servido também de oportunidade de reaproximação até com parlamentares do PSB, mais alinhados com a oposição e que começam a defender que a crise de imagem da presidente, embora grave, “atravessou a rua”.

Parlamentares do PSB passaram a avaliar que a sociedade tem se voltado muito mais contra Cunha do que contra Dilma devido as recentes notícias de suspeitas de corrupção envolvendo o presidente da Câmara. Este pensamento tem servido de combustível para o reposicionamento do partido.

Afago

No processo de reaproximação com o partido, a presidente Dilma Rousseff incluiu em sua agenda nesta semana a participação, ao lado do governador Rodrigo Rollemberg, em uma cerimônia no Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.

O evento foi preparado pelo governador para sancionar uma lei que diminui o tempo de abertura de empresas e o discurso do governo foi repleto de agradecimentos à presidente.

Rollemberg fez questão de dizer em seu discurso que o momento é de “união”. “Este é o momento de união de todos aqueles que tem compromisso com as cidades, com os estados e com o país”, disse o governador que ainda enfatizou que Dilma estará no governo até o fim.

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