Corte é necessário porque Orçamento não tem conexão com a realidade, diz Levy

Por iG São Paulo * | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Receitas reais não estão nem próximas do que foi previsto no projeto aprovado há um mês pelo Congresso, segundo ministro

Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reúne-se com integrantes do Carf
Marcello Casal Jr/Abr - 20.5.15
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reúne-se com integrantes do Carf

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta segunda-feira (25) considerar "adequado" o corte de R$ 69,9 bilhões anunciado na sexta-feira (22) pelo governo Dilma Rousseff (PT), mas ainda vê alguns "excessos" que precisam de aprovação do Congresso para serem eliminados. O titular da pasta afirmou ainda que o contigenciamento foi necessário pois as receitas previstas no Orçamento de 2015, proposto pelo Executivo e aprovado há um mês pelos parlamentares, não estão nem próximas do que vem sendo arrecadado neste ano.

"O contingenciamento é uma parte da estratégia [do governo para reequilibrar a economia]. Aliás, ele é necessário porque as receitas previstas no Orçamento que foi aprovado há um mês não têm conexão com a realidade da arrecadação", disse Levy em entrevista a jornalistas em Brasília.  "Acho que o contingenciamento tem um valor adequado."

Segundo o ministro, o País vive um "problema de arrecadação". Nos últimos anos, destacou Levy, ela "sistematicamente" não tem atingido as necessidades do governo, que tem dependido de receitas extraordinárias como as obtidas com o Refis - programa de refinanciamento de dívidas tributárias.

Leia também:

- Arrecadação de abril cai ao menor nível para o mês desde 2010

- “Não podemos continuar dando R$ 25 bilhões para as empresas”, diz Levy

- Levy pede ao Congresso cuidado com medidas que criem impostos

- Orçamento de 2015 é aprovado com aumento do fundo partidário de R$ 580 milhões

Levy argumentou que o governo "cortou na carne" e buscou "naquilo que podia" manter o orçamento de 2015 próximo ao de 2013 - o ano passado, em que Dilma buscava reeleição, registrou um acentuado aumento de despesas -, e indicou que conta com a aprovação do pacote de ajuste fiscal pelo Congresso para reduzir ainda mais os gastos.

"A maior parte do gasto é um gasto determinado por lei, um gasto obrigatório. Esse gasto tem o seu próprio ritmo e o governo não tem como modificá-lo a não ser que se modifique algumas leis. Alías, no caso de alguns excessos, é isso que vem se discutindo no Congresso já há cinco meses."

Veja: Líder do PMDB explica alta de R$ 580 milhões no fundo partidário em 2015

Gastos pouco efetivos

O ministro defendeu também mudança no modelo de financiamento da economia com recursos públicos "agora que acabou o dinheiro" e voltou a criticar os gastos do governo e os incentivos concedidos às empresas privadas.

"A gente viu como que as indústrias nos últimos anos, apesar de o governo ter dado muitos incentivos fiscais, não tiveram um desempenho muito forte. Essas são as coisas importantes que a gente tem de estar olhando", disse Levy. "O ano passado, apesar de todo o gasto público, do déficit primário muito forte que nos botou até em risco [de peder o selo de bom pagador concedido pelas agências de risco] (...) o PIB não foi muito grande, as empresas não investiram."

Levy também indicou que espera uma retração da economia no primeiro trimestre deste ano. Analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central acreditam que o PIB cairá 1,24% em 2015.

“Acho que o PIB vinha e deu um pequeno blipping [sinal de alerta] no quarto trimestre [de 2015], que aliás pode ser revisto. No começo do ano, os agentes estavam em grande expectativa de retração. Então, não seria surpresa a gente ver uma situação desta”, disse o ministro da Fazenda, ressalvando que a queda não é causada pelo contingenciamento. "O PIB não está devagar por causa do ajuste. A gente está fazendo o ajuste porque o PIB vinha devagar."

*Com informações da Agênica Brasil


Leia tudo sobre: joaquim levycontingenciamento

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas