No Brasil, presidente do Uruguai critica Mercosul e pede flexibilização do bloco

Por iG São Paulo - | - Atualizada às

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Tabaré Vázquez diz ser preciso "restabelecer a credibilidade" do órgão e defende possibilidade de negociações individuais

É preciso resgatar o Mercosul, diz Tabaré Vázquez (esq.) durante visita oficial ao Brasil
Alan Sampaio/iG Brasília - 21.5.15
É preciso resgatar o Mercosul, diz Tabaré Vázquez (esq.) durante visita oficial ao Brasil

Ao lado de Dilma Rousseff (PT), o  presidente do Uruguai, Tabaré Vazquez, criticou nesta o Mercosul e pediu flexibilidade para que seus integrantes possam negociar independentemente outros acordos  comerciais.

"É preciso (...) resgatá-lo e colocá-lo a serviço de seus países-membros e ao serviço dos nossos povos. Porque, se os nossos povos não sentem que o Mercosul serve para melhorar a sua vida cotidiana, também serão inúteis os nosso melhores propósitos", disse Vázquez, em pronunciamento conjunto nesta quinta-feira (21) em Brasília. "Não se pretende questionar ou renunciar aos objetivos de longo prazo, mas achamos urgente alinhar o Mercosul, como a senhora dizia, com as realidades políticas do momento e com a possibilidade de cumprimento, por  parte do Estados membros, dos seus comporissos para resbatelecer a sua credibilidade e, além disso, para reativá-lo."

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O presidente uruguaio pediu a criação de "algumas flexibilidades para que os que desejam possam avançar com alianças com outros sócios comerciais". Membros do Mercosul, Paraguai e Uruguai já participam como observadores da Aliança do Pacífico, um bloco que reúne Chile, Colômbia, Peru e México.

e propôs que seja utilizado o sistema de "velocidades diferentes" no acordo entre o Mercosul e a União Europeia - um sistema que permitiria que cada país do bloco sul-americano adote um ritmo diferente de liberação comercial com o bloco europeu.

Ponte Barão de Mauá, que liga Brasil e Uruguai, será revitalizada e uma segunda, construída
Iphan
Ponte Barão de Mauá, que liga Brasil e Uruguai, será revitalizada e uma segunda, construída

Dilma disse esperar que a assinatura do acordo entre Mercosul e UE ocorra ainda em 2015 e anunciou que proporia para "o mais breve prazo possível a [fixação da] data de apresentação simultânea de nossas ofertas comerciais."

As críticas de Vázquez após Dilma ressaltar que o Mercosul levou a um incremento de cerca de 1.000% no comércio interno do bloco, para US$ 52 bilhões, desde a sua fundação em 1991. A petista destacou como positivo, ainda, a entrada da Venezuela - um dos maiores produtores de petróleo do mundo - em 2012.

"Mas não podemos nos acomodar. Precisamos melhorar e avançar cada vez mais. Um passo importante consiste na elaboração de um programa que contribua para redução de assimetrias entre os sócios do Mercosul", disse Dilma.

Entre as iniciativas nesses sentidos, Dilma anunciou a proposta de restabelecimento do Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (Focem), a construção de uma nova ponte entre o Brasil e o Uruguai sobre o rio Jaguarão e a revitalização da Barão de Mauá, já existente, e a conclusão, em abril, de uma linha de transmissão que permite intercâmbio de energia elétrica entre os dois países.

Venezuela

Entendimento entre os venezuelanos interessa oa conjunto dos latino-americanos
Alan Sampaio/iG Brasília - 21.5.15
Entendimento entre os venezuelanos interessa oa conjunto dos latino-americanos", diz Dilma

Dilma também voltou a alfinetar Nicolás Maduro, que enfrenta grave crise política. A presidente expressou "preocupação com a situação da Venezuela" e cobrou uma solução pacífica e democrática por parte do "legítimo governo e as forças políticas venezuelanas".

"O entendimento entre os venezuelanos interessa ao conjunto dos latino-americanos", disse a presidente.

A fala de Dilma ocorre cerca de um mês depois de a presidente criticar a prisão de dissidentes políticos por parte do governo de Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez.

"Nós no Brasil teremos uma posição clara com relação ao direito de expressão, de livre manifestação: nós não cremos que a relação melhor com a oposição seja encarcerar quem quer que seja, a não ser que cometa algum crime. Se não cometeu crime, não pode ser presa”, disse a petista, em entrevista à rede CNN veiculada em abril.

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