Planalto tenta anular 'focos de rebeldia' em votação do Seguro Desemprego

Por Marcel Frota - iG Brasília |

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Líder do governo no Senado, Delcídio Amaral reconhece dificuldades de articulação na base e tenta quórum alto para garantir aprovação de MP e do nome de Luiz Fachin para o STF

O governo terá dificuldades para aprovar a Medida Provisória (MP) 665/14 em sua votação derradeira no Senado Federal nesta terça-feira (19). O texto, que faz alterações no acesso ao Seguro Desemprego e ao Abono Salarial, já foi alvo de enorme polêmica na votação na Câmara. Transtorno que incluiu rebeldia dentro do próprio PT.

Durante a reunião do vice-presidente Michel Temer (PMDB) com líderes da base do Senado no Palácio do Planalto, governistas gastaram muito tempo e saliva fazendo contas e o resultado não agradou.

Delcidio do Amaral sabe que terá dificuldades em articular a base aliada
Facebook/Reprodução
Delcidio do Amaral sabe que terá dificuldades em articular a base aliada

O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), deixou claro que existe uma preocupação do Planalto com os votos necessários para aprovar não apenas a MP 665/14, como também chancelar o nome de Luiz Fachin para ocupar no Supremo Tribunal Federal (STF) a vaga aberta com a saída do ex-presidente da suprema corte, Joaquim Barbosa.

“Estamos acompanhando de perto, conversando com os senadores para que tenhamos sucesso. Agora, evidente, não se pode brincar. O cenário exige muito cuidado”, disse Delcídio ao final do encontro. Líderes da base que deixaram o encontro manifestaram de formas diferentes o clima de preocupação que temperou a reunião desta segunda-feira.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) foi bastante direto ao se referir ao clima da reunião. “Estamos fazendo conta para ver se teremos votos para passar [a MP 665/14]. Está difícil”, disse. De forma mais contida, o líder do governo no Congresso Nacional, José Pimentel (PT-CE) confirmou a preocupação com a votação da MP que muda o Seguro Desemprego e o Abono Salarial.

“Nossa preocupação é trazer o maior número de senadores para o Plenário”, disse Pimentel. “Já tivemos a votação na comissão mista e lá foi. A tendência é manter, vamos ver”, afirmou. Pimentel confirmou que o objetivo é votar o texto sem mudanças, ou seja, da forma como foi aprovado na Câmara, para evitar atrasos e agilizar a tramitação da medida provisória. “A ideia é não mexer no texto”, confirmou também Delcídio.

Agenda apertada
Delcído afirmou que a agenda pesada dessa semana no Senado poderia protelar a apreciação da MP 665/14. O senador não descarta que o texto seja votado até na quarta-feira (20). Essa possibilidade contempla não apenas a dura votação esperada para a aprovação do nome de Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal (STF) como também a preocupação em ter um quórum alto e assim assegurar a aprovação da MP 665/14. São necessários 41 votos, dos 81 em disputa.

“[Queremos] garantir a presença forte dos senadores. Alguns estavam viajando e estamos trazendo de volta porque a presença deles é muito importante. Estamos trabalhando para dar um quórum alto”, disse ele, enfatizando a a prioridade é aprovar o nome de Fachin e a MP 665/14 nesta terça-feira.

Perguntado a respeito dos problemas para aprovar a MP do Seguro Desemprego, se trata-se de problemas na base ou por força da oposição, Delcídio afirmou que os dois aspectos preocupam, mas reconheceu que há “problemas localizados na base”. Ele não quis comentar especificamente se os problemas estão no PMDB ou no PT. “São focos localizados”, resumiu.

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