Governo adia pacote de concessões para proteger agenda positiva diante da crise

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Além de não ter resolvido o modelo de financiamento, a presidente estaria convencida de que a única medida positiva de seu segundo mandato seria engolida pela crise

A presidente Dilma tinha pressa para anunciar pacote de concessões, estimado em R$ 150 bi
Marcos Santos/USP
A presidente Dilma tinha pressa para anunciar pacote de concessões, estimado em R$ 150 bi

O governo decidiu que só lançará o novo programa de concessões na área de infraestrutura depois de vencida a fase de votação das medidas do pacote fiscal no Congresso e após o anúncio do contingenciamento de recursos previsto para depois das votações. A estratégia tem o objetivo de proteger a única "agenda positiva" pensada no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. 

Dilma tinha pressa para anunciar o pacote de concessões, estimado em R$ 150 bilhões. Na avaliação de interlocutores, no entanto, agora, está convencida de que não faria sentido o lançamento dos investimentos amplos no setor e a notícia ser "engolida" pela crise advinda do Congresso.

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A presidente pretendia lançar o programa ainda neste mês e alguns ministros das áreas estruturais chegaram a firmar o dia 14 como data escolhida para lançamento. Os mais otimistas falam agora em criar condições para lançar o programa em junho.

Segundo assessores, governo não conseguiu fechar mecanismos de financiamento das obras
Divulgação/PT
Segundo assessores, governo não conseguiu fechar mecanismos de financiamento das obras

Nesta semana, o governo recuou e tem informado que o pacote está em fase inicial de formatação, faltando ainda conversar com os governadores de cada estado para saber que obras serão priorizadas. Esta atribuição foi dada pela presidente ao ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Além disso, de acordo com assessores, o governo não conseguiu fechar os mecanismos de financiamento das obras. Em outros programas, lançados nos mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no primeiro mandato de Dilma, os bancos públicos, principalmente o BNDES, tiveram participação forte nos financiamentos. Agora, os recursos se tornaram mais escassos. 

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Novo foco

As obras previstas no plano de concessões preparado pelo governo são tidas como estratégicas não só para desviar o foco da crise, mas para amenizar o impacto das denúncias de corrupção sobre grandes empreiteiras do país. É em parte com as obras previstas no pacote que o governo trabalha para atrair o interesse de grupos estrangeiros em investir no país e ajudar no socorro às empresas investigadas na Operação Lava Jato

Uma obra que Dilma pretende incluir no pacote é a megaferrovia idealizada em parceria entre China, Brasil e Peru, que cortará os dois países sul-americanos e ligará os Oceânos Atlântico e Pacífico. Dilma quer que seja dado tratamento de estrela ao projeto dentro do plano de infraestrutura. O acordo para deslanchar o negócio deve ser selado na próxima semana, com a visita do primeiro ministro da China, Li Keqiang a Brasília.

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