Presidente da Câmara se irritou com a busca e apreensão realizada em seu gabinete; aliados do peemedebista já falam em "crise institucional" caso ele não compareça à convocação

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem mobilizado aliados para aprovar a convocação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, que funciona na Casa, sob seu controle.

O presidente da Câmara dos Deputados fala durante votação no Plenário, na terça-feira (12)
Agência Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados fala durante votação no Plenário, na terça-feira (12)

O requerimento que pede a convocação foi apresentado pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) e está pautado para a reunião deliberativa da comissão, marcada para a próxima quinta-feira (14).

Leia mais:
STF quebra sigilo de investigação sobre Cunha

Na expectativa de que Janot entre com um pedido de mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para não comparecer à CPI, aliados de Cunha têm falado em "crise institucional" entre a Câmara e o Ministério Público.

"Impedir este comentário de uma crise institucional ninguém vai impedir. Será uma crise institucional porque envolve os representantes de cada poder", disse o presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), que colocou o requerimento na pauta.

"É claro que existe uma grande polêmica em relação a esse requerimento. Pautarei todos os requerimentos apresentados até quarta-feira. Pauto tudo e deixo que o relator priorize."

Veja os políticos que foram citados nas investigações da Lava Jato:

No requerimento, Paulinho da Força justifica a necessidade de convocação para que Janot explique a contratação, sem licitação, de duas empresas de assessoria de imprensa para prestar serviços à PGR. Para o deputado, as companhias seriam responsáveis pela difusão de informações sigilosas a respeito das investigações da Operação Lava Jato.

A PGR informou que uma das empresas foi contratada para funções de comunicação interna e não de assessoria de imprensa. A outra, de acordo com a assessoria, nunca foi contratada pela PGR

Além da convocação, mais dois requerimentos apresentados pelo deputado pedem a quebra do sigilo telefônico de Janot e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Cunha é um dos alvos da Lava Jato, suspeito de se beneficiar do esquema de corrupção da Petrobras. Elé um dos 50 investigados com inquéritos no STF. Além da convocação, também articulada com seu aliado Paulinho da Força, trabalha para a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impede a recondução ao cargo de procurador-geral, a quem acusa de persegui-lo.

Leia também:
Cunha vai de surpresa à CPI da Petrobras e diz que está à disposição para depor
Eduardo Cunha pede cautela na citação de políticos na Lava Jato
Confira a lista de políticos envolvidos em escândalo

O presidente da Câmara não tem poupado críticas ao procurador. Irritado com a busca e apreensão, autorizada pelo STF e realizada no seu gabinete na semana passada, Cunha acusou Janot de ter uma "querela pessoal" com ele. De acordo com depoimento do doleiro Alberto Youssef, Cunha usou um requerimento da casa para chantagear uma empresário.

Nos registros da casa, Cunha aparece como autor de requerimento, apesar do documento ter sido apresentado pela então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), sua aliada. Os registros apontam que o documento, pedindo a investigação da empresa Mitsui, foi protocolado no gabinete de Cunha. ele, no entanto, alega que a deputada, ou algum assessor pode ter utilizado seu gabinete para redigir o pedido.

    Leia tudo sobre: eduardo cunha
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.