Doleira ouvida pela CPI da Petrobras tenta acordo de delação premiada

Por Agência Câmara | - Atualizada às

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Nelma Kodama acusa bancos de evasão de divisas e promete ainda entregar nomes em acordo. "Os bancos ganham [com esse esquema] e eu vou detalhar isso", disse aos deputados

Agência Câmara

O segundo dia de audiências públicas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras em Curitiba (PR) começou por volta das 10 horas nesta terça-feira (12). A comissão ouve hoje os acusados que estão presos pela operação Lava Jato. Serão ouvidos: Nelma Kodama (doleira), René Pereira (ligado ao doleiro Alberto Youssef), os ex-deputados Luiz Argolo, Pedro Corrêa e André Vargas, e o doleiro Carlos Habib Chater.

A doleira Nelma Kodama, condenada a 18 anos de prisão, é a primeira a ser ouvida. Após concordar em responder todos os questionamentos, ela confirmou que está negociando um acordo de delação premiada com a Justiça Federal. “Estou disposta a colaborar com a CPI, desde que isso não atrapalhe meu acordo de colaboração em curso”, disse.

Nelma em depoimento nesta terça (12); ela foi presa com 200 mil euros na calcinha em 2014
Reprodução/TV Globo
Nelma em depoimento nesta terça (12); ela foi presa com 200 mil euros na calcinha em 2014

Kodama é acusada de chefiar esquema de lavagem de dinheiro que envolvia a abertura de empresas de fachada e operações de câmbio no exterior. Ela foi condenada por envolvimento em 91 operações irregulares de instituição financeira, lavagem de dinheiro e corrupção. Ela também é acusada de corromper um ex-gerente do Banco do Brasil para realizar operações ilícitas por meio da casa de câmbio Da Vinci.

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Ela foi presa em flagrante na madrugada de 15 de março do ano passado quando tentava embarcar para Milão, na Itália, com 200 mil euros escondidos na calcinha. “Meu papel de compra e venda de moedas era mais ligado a importações. Quando um importador compra uma mercadoria na China, por exemplo, parte do pagamento é feito pelo Banco Central e ele usa o doleiro para pagar o que é por fora, sem impostos, que geralmente é 60% do total”, ela explicou.

“Eu não via que estava fazendo nada errado. Era como compra e venda de dólares. A operação feita do doleiro acontece por causa dos impostos envolvidos no pagamento de empresas no exterior. Eu não achava isso errado porque achava os impostos muito altos”, alegou, ao responder perguntas do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Legislação é "falha e corrupta"

Nelma disse ainda que a legislação brasileira que regula o mercado financeiro é falha, corrupta e existe “porque há participação dos bancos, das instituições financeiras e do Banco Central”. Ela disse isso ao responder perguntas de Celso Pansera (PMDB-RJ).

Veja os políticos que estão na lista da Operação Lava Jato:

Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaO ex-presidente e senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, é acusado de ter recebido dinheiro de Yousseff. Foto: ReproduçãoPresidente da Câmara, Eduardo Cunha está entre os que serão investigados na Lava Jato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos DeputadosSenador pelo PMDB do Maranhão e ex-ministro das Minas e Energia de Dilma, Edison Lobão é investigado em inquérito que envolve a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Foto: CÉLIO AZEVEDO/AGÊNCIA SENADO - 15.5.2007Senadora pelo PT do Paraná ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman foi citada em delação premiada da Lava Jato. Foto: FacebookAlvo de inqúerito, Antônio Anastasia é senador pelo PSDB de Minas Gerais,  ex-governador do Estado e foi coordenador de campanha de Aécio à Presidência. Foto: daniel de cerqueira - 7.11.2014Senador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: Agência BrasilLindberg Farias, senador pelo PT do RJ, é suspeito de ter pedido dinheiro a Paulo Roberto Costa. Foto: Futura PressEx-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) é citada também no inquérito contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Foto: BETO BARATA/AGência ESTADO - 4.1.2011Deputado pelo PP da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro fio ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: DivulgaçãoVilson Covatti foi deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul até janeiro de 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo e ex-líder do governo Lula, Cândido Vaccarezza teria recebido R$ 400 mil em propina. Foto: Agência BrasilAlvo de inquérito, Humberto Costa é senador pelo PT de Pernambuco e foi ministro da Saúde durante o governo Lula. Foto: DivulgaçãoSenador pelo PMDB de Roraima, Romero Jucá foi líder dos governos FHC e Lula. Foto: Agência SenadoSenador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp foi governador de Rondônia e líder do partido. Foto: DivulgaçãoEx-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci terá suas condutas investigadas pela Polícia Federal no Paraná, para onde o STF mandou o inquérito. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto é alvo do processo que envolve 37 pessoas. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PP de Mato Grosso, Pedro Henry foi condenado no processo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PMDB do Ceará, Aníbal Gomes é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Divulgação/Governo Municipal de AcaraúDeputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim ocupa o cargo desde a década de 1970. Foto: Agência CâmaraEx-deputado federal pelo PP de Pernambuco, teve seu mandato cassado na esteira do escândalo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo Solidariedade da Bahia, Luiz Argôlo chegou a ter sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP do Paraná, Nelson Meurer é presidente do partido no Estado. Foto: Agência CâmaraDeputado pelo PP do Acre, Gladson Cameli é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP de Goiás, Roberto Balestra é investigado no maior inquérito, que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Goiás, Sandes Júnior, é alvo do maior inquérito da Operação, com 37 investigados. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT do Mato Grosso, Vander Loubet é investigado em inquérito que inclui o deputado Cândido Vaccarezaa (PT-SP). Foto: DivulgaçãoSenador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputada federal pelo PP de São Paulo, Aline Corrêa consta da lista de 37 investigados de um dos inquéritos da Lava Jato. Foto: Agência CâmaraSenador pelo PP de Alagoas, Benedito de Lira iniciou sua carreira política no extinto Arena, que apoiava a ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor foi líder estudantil contrário à ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano é alvo de dois pedidos de instauração de inquérito. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Ceará, José Linhares Ponte foi padre e usa a experiência de sacerdócio nas campanhas eleitorais. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco até janeiro  de 2015, Roberto Teixeira é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Santa Catarina até janeiro de 2015, João Alberto Pizzolatti Junior é alvo do inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP da Bahia até janeiro de 2015, Mário Negromonte foi ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: WikimediaDeputado pelo PP do Maranhão, Waldir Maranhão é investigado no inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoVice-governador da Bahia, comandada por Rui Costa (PT), João Leão foi deputado federal pelo PP do Estado. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Rondônia até janeiro de 2015, Carlos Magno Ramos foi secretário da Casa Civil do ex-governador  e hoje senador Ivo Cassol (PP). Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP da Bahia, Roberto Britto é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Renato Molling é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Tocantins, Lázaro Botelho é investigado no inquerito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de São Paulo, José Olímpio se apresenta como missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Afonso Hamm é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP, Jerônimo Goergen foi vice-líder da bancada do PP na Câmara dos Deputados. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Paraná, Dilceu Sperafico é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Alagoas, Arthur Lira é filho de Benedito de Lira, também investigado na Lava Jato. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado pelo PP de Minas Gerais, Luiz Fernando Faria é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco, Eduardo da Fonte foi segundo vice-presidente da Câmara e líder do PP na Casa. Foto: Divulgação



“De onde vinha o dinheiro usado nas operações? De onde vinha o dinheiro vivo, em papel-moeda?”, perguntou o deputado. “Das próprias instituições financeiras, dos bancos. Do Banco do Brasil, por exemplo, na agência de Rio Branco”, respondeu.

Diante das respostas da doleira, o deputado Pansera disse que é preciso que a CPI trate também de propostas relativas à legislação do setor financeiro. “A CPI não tem só que botar gente na cadeia. Temos que resolver também problemas de legislação. Estamos vendo aqui um submundo que envolve milhões de reais, que está passando em branco. Qual o maior ativo do [doleiro Alberto] Youssef? O domínio dessa rede, que envolve casas de câmbio”, disse.

Ela já havia mencionado o nome de um ex-gerente geral do Banco do Brasil que tinha negócios com o doleiro Raul Srour. “Os bancos ganham [com esse esquema] e eu vou detalhar isso na minha delação. Eu tenho documentos que provam que os bancos, os gerentes gerais, estão envolvidos”, disse.

"Amante de Youssef?"

A doleira provocou risos na audiência pública ao admitir, após ser questionada pelo deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), que “viveu maritalmente” com o também doleiro Alberto Youssef de 2007 a 2009. “A senhora foi amante de Youssef?”, perguntou o deputado.

“Depende do que o senhor chama de amante. Eu vivi maritalmente com ele. Amante é uma palavra que engloba tudo, né? Ser amiga, companheira. Uma coisa bonita”, respondeu a doleira. Em seguida, cantarolou a música “Amada amante”, de Roberto Carlos, e foi advertida pelo presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB).

Kodama já tinha provocado risos na audiência ao dizer que não foi presa no ano passado com 200 mil euros na calcinha, como foi divulgado. “O dinheiro estava aqui”, disse, e em seguida se levantou, virou de costas para a audiência e colocou as duas mãos nos bolsos traseiros da calça jeans que usa.

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