Nelma Kodama afirmou à CPI da Petrobras, nesta terça-feira (12), ter vivido como mulher do doleiro preso na Lava Jato

Um depoimento marcado por gargalhadas de deputados federais e negativas por parte da depoente. Foi essa a principal marca da rodada de questionamentos de legisladores à doleira Nelma Kodama, que falou à Comissão Parlamentar de Inquérito, nesta terça-feira (12). Ex-amante do também doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, ela foi detida no ano passado com 200 mil euros na calcinha.

O doleiro Alberto Youssef: peça-chave nas investigações dos desvios feitas pela Lava Jato
Jeso Carneiro/Agência Senado
O doleiro Alberto Youssef: peça-chave nas investigações dos desvios feitas pela Lava Jato

Indagada pelo deputado Altineu Côrtes sobre ter sido amante de Youssef entre 2007 e 2009, ela cantarolou a canção "Amada Amante", de Roberto Carlos, o que a levou a receber advertência do presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB).

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"Depende do que o senhor chama de amante", respondeu Kodama pouco antes. "Eu vivi maritalmente com ele. Amante é uma palavra que engloba tudo, né? Ser amiga, companheira, uma coisa bonita."

Apesar do bom humor demonstrado nas respostas sobre o doleiro, Kodama se recusou a responder uma série de questionamentos feitos pelos deputados, como a acusação de que Youssef teria organizado um assalto – declaração captada em grampo da Lava Jato – ou de conhecer o lobista Júlio Camargo, também envolvido no esquema.

Ela alegou que não responderia às perguntas por estar atualmente negociando uma delação premiada para diminuir a pena de 18 anos à qual foi condenada no ano passado, pelo juiz federal Sérgio Moro, por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Justiça, Kodama movimentou ilegalmente mais de R$ 5,2 milhões entre maio e novembro de 2013. A doleira foi condenada pela prática de 91 crimes de evasão de divisas ao lado de Iara Galdino (pena de 11 anos e 9 meses) e Lucas Pace Júnior (já beneficiado pela delação premiada, atualmente cumprindo pena de 4 anos).

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"Eu não me sinto injustiçada, mas não concordo com a dosimetria da pena", reclamou Kodama, garantindo que se limitava a comprar e vender dólares em sua atividade de doleira. Ela, no entanto, confessou as atividades ilegais, e disse ter errado.

“Para se fazer uma importação da forma que eu fazia, que era fraudulenta, fictícia, eu sozinha não conseguia", afirmou. "Eu tinha credibilidade, não usava dinheiro meu para fazer isso. O cliente entregava o dinheiro para mim sem me conhecer. Quem fazia o trabalho de estruturação era o Luccas Pace, que tinha conhecimentos do Banco Central e abria as empresas de fachada.”

Dinheiro na calcinha
Entre as recusas no depoimento, Kodama lembrou do episódio que a tornou nacionalmente conhecida, quando foi presa, no ano passado. Na ocasião, foi divulgado pela Polícia Federal que ela havia sido detida com 200 mil euros na calcinha.

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Mas, arrancando novas gargalhadas dos deputados, ela explicou sua versão sobre o que realmente aconteceu. Na ocasião, Kodama também teve apreendido o Porsche Cayman modelo 2010/2011 que possuía, avaliado em R$ 200 mil.

"O dinheiro estava aqui", disse Kodama, que se levantou e se virou de costas apontando os bolsos traseiros da sua calça. 

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