Para Nelma Kodama, presa em flagrante em 2014, o País entrou em crise após as denúncias da operação Lava Jato

Agência Câmara

A doleira Nelma Kodama disse, em depoimento à CPI da Petrobras, que o Brasil “é movido pela corrupção". "Quando parou a corrupção [ na Petrobras ], o Brasil parou”, disse referindo-se às investigações feitas pela operação Lava Jato sobre desvio de dinheiro e pagamento de propina de empreiteiras contratadas pela estatal.

“É o que eu chamo no meu mercado de bike , bicicleta: um santo descobrindo o outro. Estamos na corrupção da Petrobras, dos empreiteiros, e o que aconteceu [ quando isso foi descoberto ]: o País entrou em crise, numa recessão”, disse. Ela já havia admitido à CPI que praticou evasão de divisas mediantes operações fictícias de importação.

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O deputado Izalci (PSDB-DF) perguntou a ela que brechas existem no sistema financeiro que permite operações irregulares de câmbio. “Que mudanças seriam necessárias para evitar evasão de divisas por meio de importações fictícias? Ninguém checa se a importação é verdadeira?”, perguntou.

Nelma Kodama durante depoimento na CPI da Petrobras nesta terça-feira (12)
Reproduçao TV Globo
Nelma Kodama durante depoimento na CPI da Petrobras nesta terça-feira (12)

“Eu também me pergunto. Como pode fazer uma importação e não vir nada? Tem vários tipos [ de importação ]. O câmbio antecipado, que você paga e depois a mercadoria vem. Só que às vezes não vem”, explicou ela. Nelma Kodama está sendo ouvida pela CPI da Petrobras no auditório do Foro da Seção Judiciária do Paraná.

Pedido de delação premiada

Hoje, o grupo ouve seis acusados que estão presos na Lava Jato. São eles: Nelma Kodama, René Pereira (ligado ao doleiro Alberto Youssef), os ex-deputados Luiz Argolo, Pedro Corrêa e André Vargas, e o doleiro Carlos Habib Chater. Condenada a 18 anos de prisão, Nelma foi a primeira a ser ouvida.

Após concordar em responder todos os questionamentos, ela confirmou que está negociando um acordo de delação premiada com a Justiça Federal. “Estou disposta a colaborar com a CPI, desde que isso não atrapalhe meu acordo de colaboração em curso.”

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Ela é acusada de chefiar esquema de lavagem de dinheiro que envolvia a abertura de empresas de fachada e operações de câmbio no exterior. Ela foi condenada por envolvimento em 91 operações irregulares de instituição financeira, lavagem de dinheiro e corrupção. Ela também é acusada de corromper um ex-gerente do Banco do Brasil para realizar operações ilícitas por meio da casa de câmbio Da Vinci.

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A prisão de Nelma ocorreu na madrugada de 15 de março do ano passado, quando tentava embarcar para Milão, na Itália, com 200 mil euros escondidos na calcinha. “Meu papel de compra e venda de moedas era mais ligado a importações. Quando um importador compra uma mercadoria na China, por exemplo, parte do pagamento é feito pelo Banco Central e ele usa o doleiro para pagar o que é por fora, sem impostos, que geralmente é 60% do total”, ela explicou.

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