Reafirmando sua inocência, ex-deputado federal se comparou a Jesus e disse que "os humilhados um dia serão exaltados"

Apesar de optar por seu direito constitucional de se manter em silêncio na reunião que a CPI da Petrobras realizou em Curitiba (PR), o ex-deputado federal Luiz Argôlo voltou a afirmar que não tem nada a ver com irregularidades na Petrobras, nesta terça-feira (12). E usou até referências religiosas para se defender. 

O ex-deputado federal Luiz Argôlo:
Divulgação
O ex-deputado federal Luiz Argôlo: "Só posso dizer que os humilhados serão um dia exaltados"

Após voltar a falar que é inocente, ao responder a pergunta da deputada Eliziane Gama (PPS-MA), Argôlo foi questionado se estava arrependido pelo deputado Delegado Waldir. No que respondeu: “É muito subjetiva sua pergunta. Só posso dizer que os humilhados um dia serão exaltados. Isso está na Bíblia”."

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Na sequência, o depuado insistiu: “Mas o senhor acha que errou?" “Todo mundo erra", respondeu Argôlo. "Até Jesus Cristo, que era filho de Deus, errou."

Troca de partido
O ex-deputado também falou sobre sua opção de trocar o PP para tentar se reeleger pelo Solidariedade, no ano passado – pergunta feita pelo deputado Ivan Valente (Psol-SP). “Eu sempre trabalhei pelos municípios de minha base eleitoral. Mas, infelizmente, não consegui me reeleger”, disse ele.

Argôlo também reafirmou nunca ter indicado alguém para cargos no governo e que o Solidariedade fazia oposição ao governo. Ao justificar aos deputados sua opção de ficar em silêncio, ele afirmou: “Eu vou ficar em silêncio porque nada do que eu disse, nem no Conselho de Ética [da Câmara] me ajudou".

Argôlo é acusado de receber recursos de propina do doleiro Alberto Youssef quando pertencia ao PP, partido que trocou pelo Solidariedade depois de divulgadas as primeiras suspeitas contra ele.

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O ex-deputado se negou a responder perguntas sobre sua amizade com Youssef, sobre os pagamentos que o doleiro afirma ter feito sistematicamente para o PP, sobre o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (que atuava junto com Youssef na arrecadação de propina de empresas contratadas pela Petrobras), sobre o uso de um helicóptero adquirido por Youssef e até mesmo sobre seu eventual arrependimento.

Críticas ao silêncio
O silêncio de Argôlo foi criticado pelos deputados da CPI da Petrobras. “Em 25 anos na Polícia Federal nunca vi essa tática de defesa funcionar. Pelo contrário. Quem colabora costuma obter benefícios, como redução da pena”, ressaltou o deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA).

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“Quem adota essa prática é porque tem algo a esconder”, concordou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). 

Nesta terça-feira (12), a CPI também ouviu a doleira Nelma Kodama e René Pereira (condenado por tráfico de drogas e ligado a Alberto Youssef). A reunião ocorreu no auditório do Foro da Seção Judiciária do Paraná, em Curitiba.

* Agência Câmara

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