Renan rebate Lula sobre terceirização: "Ninguém substitui a Câmara e o Senado"

Por Anderson Passos - iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente do Senado respondeu pedido de Lula para que Dilma Rousseff vetasse o Projeto de Lei de número 4.330

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RN), defendeu a autonomia da Casa que preside e da Câmara dos Deputados na apreciação do Projeto de Lei 4.330, que regulamenta a terceirização no País. A defesa se deu nesta sexta-feira (8), durante conversa com jornalistas sobre fala recente de Luís Inácio Lula da Silva na qual ele pediu à sua sucessora, Dilma Rousseff, para vetar o texto. 

Renan afirmou que pretende agilizar votação do projeto que tem mobilizado trabalhadores no País
Antonio Cruz/Agência Brasil
Renan afirmou que pretende agilizar votação do projeto que tem mobilizado trabalhadores no País

"Ninguém substitui a Câmara. É fundamental que a Câmara e o Senado deliberem pela participação dos deputados e senadores. É importante aguardar o calendário", comentou após participar de almoço com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf.

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Indagado se considerava uma ingerência por parte de Lula declarar apoio ao veto, Calheiros afirmou ver como fundamental a participação de deputados e senadores no debate.

O peemedebista defendeu que o projeto da terceirização deve contemplar limites para as atividades fim: "Não se pode regulamentar a atividade fim sem criar limites e estabelecer condições".

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Renan não deixou claro como será o regime de tramitação do projeto de lei da terceirização. Durante a entrevista, por quase todo o tempo, ele citou a necessidade de fazer audiências públicas e de ouvir os grupos envolvidos. "O mais prudente, do ponto de vista do trabalhador da indústria do Brasil, é regulamentar o mais rapidamente possível", disse.

Veja fotos dos atos contra terceirização do trabalho realizados no mês passado:

Manifestantes do MTST bloqueiam pista local da marginal Tietê, em São Paulo, na manhã desta quarta (18) em Dia Nacional de Luta. Foto: Reprodução/Facebook MTSTEstrada de Itapecerica foi bloqueada nos dois sentidos por protesto do MTST na manhã desta quarta (18). Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloProtesto do MTST na manhã desta quarta-feira (18) na Avenida Guarapiranga, sentido centro, zona sul de São Paulo . Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura PressNa zona sul de São Paulo, cerca de 1.500 manifestantes partiram da avenida Guarapiranga e seguem para a marginal Pinheiros. Foto: Reprodução/Facebook MTSTProtesto do MTST na manhã desta quarta-feira (18) na marginal Pinheiros, zona sul de São Paulo . Foto: Reprodução/Facebook MTST"Pisa ligeiro, pisa ligeiro. Quem não pode com a formiga, não atiça o formigueiro", cantam manifestantes na avenida João Dias, zona sul de SP. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloEm Fortaleza (CE), manifestantes bloquearam a BR-116 em caminhada até o Palácio da Abolição. Foto: Reprodução/Facebook MTSTProtesto do MTST bloqueia, em Minas Gerais,a MG-010, que dá acesso ao aeroporto de Confins. Foto: Reprodução/Facebook MTSTEm São Paulo, manifestantes do MTST fecham a rodovia Raposo Tavares nos dois sentidos no km 21. Foto: Reprodução/TV GloboÀs 8h50 desta quarta-feira (18), manifestantes do MTST se reuniam em frente ao terminal João Dias (na zona sul) para protesto por moradia. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloMTST bloqueia acesso à ponte Rio-Niterói na manhã desta quarta-feira. Foto: Reprodução/@vitorledertheilEm Minas Gerais, protesto do MTST fecha a BR-040, em Contagem, perto da Ceasa. Foto: O TEMPO

"Terceirização já é uma realidade"
Já Paulo Skaf adotou um tom bem mais duro em relação às críticas ao texto. Aos jornalistas, o presidente da Fiesp afirmou que a "terceirização no Brasil já é uma realidade" e que a discussão atual se limita a regulamentá-la. "Se tem algum sindicato preocupado com a sua arrecadação e queda de arrecadação sindical, pra mim, pouco importa", atacou ele, que foi ainda mais longe.

Em um recado ao ex-presidente Lula, no qual comentou a possibilidade de uma greve geral – convocada pela Central Única dos Trabalhadores –, classificada por ele como um "desserviço à nação", Skaf desafiou:

"A Petrobras, por exemplo. O PT diz que é contra a terceirização... Uma boa pergunta a fazer ao ex-presidente Lula. Quando ele assumiu a presidência, a Petrobras tinha 120 mil terceirizados. Hoje tem 360 mil. Se o PT é contra, como é que aumentou três vezes os terceirizados na Petrobras?"

Ajuste fiscal
Sobre a aprovação do ajuste fiscal na Câmara, Renan alertou que o PMDB "não pode repetir na relação com o PT e com o governo a velha política". Indagado se seu partido estaria condicionando a aprovação de projetos à entrega de cargos no segundo e terceiro escalões, disparou:

"Nós não vamos fazer o ajuste sem a reforma do Estado. Nós precisamos cortar no setor público e acho que essa tem que ser a grande participação do PMDB... Não tem exigência [de cargos] e acho que será o pior papel do PMDB. Se for verdade o que a imprensa está dizendo".

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