“O ministério é do governo e está disponível a Dilma”, diz vice-líder do PDT

Por Marcel Frota | - Atualizada às

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Partido que ocupa pasta do Trabalho tem sido alvo de reclamações após se posicionar contra 1ª votação do reajuste e criticar abordagem do Planalto sobre reformas na economia

A votação da Medida Provisória 665 – primeira parte do ajuste fiscal do governo federal –, que faz mudanças no seguro-desemprego e no abono salarial, deixou o clima entre o Planalto e o PDT relativamente ruim. Além do governo, partidos da base não ficaram contentes com a forma como o PDT criticou a MP. O líder da bancada, André Figueiredo (PDT-CE), chegou a lavar roupa suja no Plenário, alegando que o ministro do partido, Manoel Dias (Trabalho), sequer teria sido chamado para discutir a formulação da proposta.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), tem evitado a todo custo polemizar. Não quer criar intrigas no meio de um processo que tem exigido muito dele. Entrar em discussão neste momento seria contraporducente, já que ainda faltam mais dois grandes projetos a serem votados, mas ele dá pistas do mal-estar. “Evidente que a base ficou muito inquieta, para não dizer revoltada. O conjunto da base. Evidentemente que minha preocupação não é discutir a situação do PDT. Minha preocupação é concluir a discussão e a votação do ajuste fiscal”, disse o líder do governo.

Nos bastidores do Plenário, deputados da base questionaram a posição do PDT. Reclamam de terem sido expostos por um aliado num momento crítico. Alguns até arriscam dizer que o PDT deverá, num futuro próximo, se retirar oficialmente da base, entregando o Ministério do Trabalho, hoje ocupado pela legenda. Questionado a respeito, o vice-líder da bancada, Pompeo de Mattos (RS), reafirmou a posição do partido.

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“Não votamos contra o governo e nem votamos para derrotar o governo. O PDT votou a favor dos trabalhadores”, disse ele ao final da votação dos destaques. “Na nossa visão, o governo tomou um caminho simplista de tirar direitos dos trabalhadores, dos mais humildes, dos mais pobres. O governo deveria ter cortado dos banqueiros, os juros. Aí que o governo deveria ter enfrentado."

Sobre a posição do partido na Esplanada dos Ministérios, Mattos preferiu deixar a bola com a presidente. Não polemizou, mas também não aliviou. “Primeiro que o ministério não é do PDT. O ministério é do governo e da presidente Dilma e está sempre disponível a ela”, declarou o deputado. “Se o governo não compreender essa coisa pontual do PDT e achar que tem de retomar o ministério, o governo é quem toma sua posição."

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