A própria presidente tem dado as diretrizes para as novas concessões e chegou a cancelar viagens ao exterior para criar uma “agenda positiva” interna

Para recuperar em parte da crise de imagem, o governo pretende anunciar ainda neste mês uma série de concessões dentro do Programa de Investimento e Logística (PIL), já lançado em 2012. A própria presidente Dilma Rousseff tem participado diretamente da formatação do programa, considerado uma das únicas oportunidades dentro do governo de imprimir uma “agenda positiva” em meio à crise.

Levy, da Fazenda, e Dilma divergem sobre o modelo de concessões
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Levy, da Fazenda, e Dilma divergem sobre o modelo de concessões

Dilma tem dado as diretrizes para os ministros diretamente envolvidos na formatação e até cancelou duas viagens internacionais que faria à Rússia e à Itália para acompanhar de perto a concepção do programa.

Nesta terça-feira (5), sua primeira agenda foi uma reunião com os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Fazenda, Joaquim Levy, para tratar do assunto.

A presidente tem resistido à forma de “concessões onerosas” defendidas por Levy, modelo que, na visão da presidente, se aproxima bastante da privatização. Pela proposta discutida, os consórcios teriam de pagar para obter as concessões para recuperação de estradas, ferrovias, portos e aeroportos.

Além da reunião com a presidente, na parte da tarde, o ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) do Planalto, Edinho Silva, tem encontro marcado com a presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, além do secretário executivo do Ministério do Planejamento, Diogo Oliveira, para acertar mais detalhes do programa.

Os ministros têm trabalhado com o lançamento do programa “nas próximas semanas”. Amanhã, a própria presidente reunirá no Planalto todos os ministros da área econômica e de infraestrutura para definir, entre outras coisas, o modelo de concessão a ser adotado e como isso será capitalizado pelo governo.

Lançado em 2012, o PIL previa a concessão de 7,5 mil quilômetros de rodovias, além de 10 mil quilômetros de ferrovias. A parte das ferrovias ficou só no papel.

Já o programa de rodovias começou a ser executado e atualmente, trechos de quatro rodovias estão em estudo para concessões. O governo deve anunciar mais 17 novos trechos a serem concedidos à iniciativa privada em leilões com previsão para ocorrerem no segundo semestre deste ano. O novo programa de concessões deve ainda incluir a concessão de oito ferrovias, no entanto não há previsão de quando serão os leilões.

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