Campanha de Eduardo Campos recebeu recursos da Petrobras, diz ex-diretor

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em depoimento à CPI que investiga desvios da Petrobras, Paulo Roberto Costa confirmou que diretoria da estatal sabia de formação de cartel, mas negou conhecer ex-tesoureiro do PT

A campanha de Eduardo Campos (PSB) à presidência da República, no ano passado, recebeu um grande montante de dinheiro da Petrobras. É o que afirmou Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) responsável por investigar a empresa, realizado nesta terça-feira (5), na Câmara dos Deputados.

Paulo Roberto Costa em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito, nesta terça-feira
Lúcio Bernardo Jr/ Câmara dos Deputados
Paulo Roberto Costa em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito, nesta terça-feira

"O pedido [de recursos] foi feito a mim por um secretário dele [Campos], que hoje ocupa uma vaga no Senado", afirmou Costa, citando o senador Fernando Bezerra responsável pelo pedido. "Ele me disse que seria importante ter ajuda financeira para a campanha. O contato, então, foi feito, e o recurso, repassado para ele."

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Morto em agosto do ano passado em um acidente de avião na cidade de Santos, Campos foi um dos citados por Paulo Roberto Costa em depoimentos de delação premiada à Justiça Federal. O ex-diretor afirma que foram pagos R$ 20 milhões ao partido do ex-governador de Pernambuco.

Costa ainda confirmou propina a um outro eminente nome da política nacional, o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2009. Segundo o ex-diretor, o encontro foi intermediado por Eduardo da Fonte e ocorreu em um hotel no Rio de Janeiro. "Eles me disseram que estava ocorrendo uma CPI sobre a Petrobras e que isso poderia ser minorado ou postergado, mas que precisava ter um ganho, um ajuste financeiro”, disse ele.

O depoimento foi todo baseado nos documentos de delação premiada feita por Costa à Justiça Federal. Aparentando bastante tranquilidade, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, preso desde março do ano passado como uma das peças-chave da Operação Lava Jato e atualmente em prisão domiciliar, procurou confirmar tudo o que afirmou nos últimos meses. Cada deputado presente teve direito a interrogá-lo por no máximo dez minutos.

Veja os políticos que estão na lista da Operação Lava Jato:

Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo LimaO ex-presidente e senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, é acusado de ter recebido dinheiro de Yousseff. Foto: ReproduçãoPresidente da Câmara, Eduardo Cunha está entre os que serão investigados na Lava Jato. Foto: Gustavo Lima / Câmara dos DeputadosSenador pelo PMDB do Maranhão e ex-ministro das Minas e Energia de Dilma, Edison Lobão é investigado em inquérito que envolve a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Foto: CÉLIO AZEVEDO/AGÊNCIA SENADO - 15.5.2007Senadora pelo PT do Paraná ex-ministra da Casa Civil de Dilma, Gleisi Hoffman foi citada em delação premiada da Lava Jato. Foto: FacebookAlvo de inqúerito, Antônio Anastasia é senador pelo PSDB de Minas Gerais,  ex-governador do Estado e foi coordenador de campanha de Aécio à Presidência. Foto: daniel de cerqueira - 7.11.2014Senador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: Agência BrasilLindberg Farias, senador pelo PT do RJ, é suspeito de ter pedido dinheiro a Paulo Roberto Costa. Foto: Futura PressEx-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB) é citada também no inquérito contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Foto: BETO BARATA/AGência ESTADO - 4.1.2011Deputado pelo PP da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro fio ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: DivulgaçãoVilson Covatti foi deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul até janeiro de 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo e ex-líder do governo Lula, Cândido Vaccarezza teria recebido R$ 400 mil em propina. Foto: Agência BrasilAlvo de inquérito, Humberto Costa é senador pelo PT de Pernambuco e foi ministro da Saúde durante o governo Lula. Foto: DivulgaçãoSenador pelo PMDB de Roraima, Romero Jucá foi líder dos governos FHC e Lula. Foto: Agência SenadoSenador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp foi governador de Rondônia e líder do partido. Foto: DivulgaçãoEx-ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci terá suas condutas investigadas pela Polícia Federal no Paraná, para onde o STF mandou o inquérito. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 2.1.11Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto é alvo do processo que envolve 37 pessoas. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PP de Mato Grosso, Pedro Henry foi condenado no processo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo PMDB do Ceará, Aníbal Gomes é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Divulgação/Governo Municipal de AcaraúDeputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim ocupa o cargo desde a década de 1970. Foto: Agência CâmaraEx-deputado federal pelo PP de Pernambuco, teve seu mandato cassado na esteira do escândalo do mensalão. Foto: Agência BrasilDeputado federal pelo Solidariedade da Bahia, Luiz Argôlo chegou a ter sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP do Paraná, Nelson Meurer é presidente do partido no Estado. Foto: Agência CâmaraDeputado pelo PP do Acre, Gladson Cameli é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Agência CâmaraDeputado federal pelo PP de Goiás, Roberto Balestra é investigado no maior inquérito, que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Goiás, Sandes Júnior, é alvo do maior inquérito da Operação, com 37 investigados. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT do Mato Grosso, Vander Loubet é investigado em inquérito que inclui o deputado Cândido Vaccarezaa (PT-SP). Foto: DivulgaçãoSenador pelo PP do Piauí, Ciro Nogueira teve dois inquéritos arquivados, mas é alvo de um terceiro, que envolve outras 36 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputada federal pelo PP de São Paulo, Aline Corrêa consta da lista de 37 investigados de um dos inquéritos da Lava Jato. Foto: Agência CâmaraSenador pelo PP de Alagoas, Benedito de Lira iniciou sua carreira política no extinto Arena, que apoiava a ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PT de São Paulo, José Mentor foi líder estudantil contrário à ditadura militar. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano é alvo de dois pedidos de instauração de inquérito. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP do Ceará, José Linhares Ponte foi padre e usa a experiência de sacerdócio nas campanhas eleitorais. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco até janeiro  de 2015, Roberto Teixeira é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP de Santa Catarina até janeiro de 2015, João Alberto Pizzolatti Junior é alvo do inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP da Bahia até janeiro de 2015, Mário Negromonte foi ministro das Cidades durante o governo Dilma. Foto: WikimediaDeputado pelo PP do Maranhão, Waldir Maranhão é investigado no inquérito que envolve outras 36 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoVice-governador da Bahia, comandada por Rui Costa (PT), João Leão foi deputado federal pelo PP do Estado. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Rondônia até janeiro de 2015, Carlos Magno Ramos foi secretário da Casa Civil do ex-governador  e hoje senador Ivo Cassol (PP). Foto: DivulgaçãoDeputado federal pelo PP da Bahia, Roberto Britto é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Renato Molling é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Tocantins, Lázaro Botelho é investigado no inquerito que envolve 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de São Paulo, José Olímpio se apresenta como missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul, Afonso Hamm é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP, Jerônimo Goergen foi vice-líder da bancada do PP na Câmara dos Deputados. Foto: Facebook/ReproduçãoDeputado federal pelo PP do Paraná, Dilceu Sperafico é investigado no inquérito que envolve outras 37 pessoas. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Alagoas, Arthur Lira é filho de Benedito de Lira, também investigado na Lava Jato. Foto: Twitter/ReproduçãoDeputado pelo PP de Minas Gerais, Luiz Fernando Faria é investigado no inquérito que envolve 37 pessoas. Foto: ReproduçãoDeputado federal pelo PP de Pernambuco, Eduardo da Fonte foi segundo vice-presidente da Câmara e líder do PP na Casa. Foto: Divulgação

Apesar da confirmação, ao longo das mais de três horas de depoimento, foram muitas as negativas de Costa. O ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto, preso na semana retrasada, por exemplo, nunca teria se reunido com o ex-diretor, segundo disse. "Uma vez, num restaurante, eu almoçava com o [doleiro Alberto] Youssef [peça-chave na Lava Jato] e ele acenou ao Vaccari e me falou quem ele era", enfatizou ele.

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Ao mesmo tempo, também rechaçou ter participado de uma série de contratos irregulares realizados pela Petrobras, como a parceria da estatal com a empresa chinesa Sinopec e o projeto da Gasene. "Não tenho conhecimento, é algo que só a área financeira pode explicar", disse.

Ex-governador de PE e candidato à presidência da República em 2014, Eduardo Campos
Alan Sampaio / iG Brasília
Ex-governador de PE e candidato à presidência da República em 2014, Eduardo Campos

Segundo Costa, apesar de seu cargo na diretoria de Abastecimento da estatal no período investigado pela Operação Lava Jato, ele garantiu ter tomado pouco conhecimento sobre contratos, pois "não havia praticamente obras na minha área, orçamentos ou projetos". Também reforçou que diretores não tem autonomia de aprovar contratos. 

Entretanto, o ex-diretor confessou conhecer boa parte dos políticos acusados de envolvimento em desvios pela operação da Polícia Federal e afirmou, categoricamente, que a diretoria da estatal tinha conhecimento dos acordos entre empresas para conseguir contratos com a Petrobras. 

"Nós sabáamos do cartel, sabíamos. E, erradamente, não tomamos nenhuma ação, não tomamos", disse ele. "Eu sou um cidadão brasileiro que errou, está pagando por seus erros e mereço ser respeitado."

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