Pagamentos foram confirmados ao juiz federal Sérgio Moro por dois executivos da empresa, investigada pela polícia

Agência Brasil

Em depoimento prestado à Justiça Federal em Curitiba, nesta segunda-feira (4), dois executivos da empreiteira Camargo Corrêa confirmaram ao juiz Sérgio Moro pagamento de propina em contratos com a Petrobras.

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela parte judicial da Operação Lava Jato, da PF
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela parte judicial da Operação Lava Jato, da PF

Eduardo Hemerlino Leite e Dalton Avancini disseram que 1% dos contratos da empresa eram pagos às diretorias de Abastecimento e de Serviços. Os fatos são investigados na Operação Lava Jato.

Os executivos relataram que o pagamento de propina era institucionalizado na empreiteira. Leite e Avancini disseram que, quando ocuparam cargo na diretoria de Óleo e Gás da empreiteira, foram informados, durante a troca de diretoria, sobre os pagamentos de propina.

Leia mais:
Juiz da Lava Jato abre ação penal contra Vaccari e Renato Duque

Segundo Leite, a Camargo Corrêa pagou R$ 63 milhões à Diretoria de Serviços, então comandada por Renato Duque, e R$ 47 milhões, à Diretoria de Abastecimento.  Os pagamentos ocorreram principalmente nas obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

“Na verdade, o que variava era a capacidade de cumprir esse fluxo. Como os valores eram muito altos, esse 1% era um valor significativo. Pelo menos na Camargo, por não operar sistema de caixa dois, havia uma dificuldade muito grande para efetuar qualquer tipo de pagamento e quase impossível honrar esse fluxo de 1%", disse Leite.

Veja os políticos que estão na lista da Operação Lava Jato:

Segundo Eduardo Hemerlino, o ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa e Renato Duque, ex-diretor de Serviços, cobravam os valores devidos de propina mesmo depois de deixarem a Petrobras.

“Eu herdei essa pactuação. Me foi informado que isso [pagamento de propina]  deveria ocorrer. Do ponto de vista, se isso representava alguma vantagem, eu diria que, se não pagasse, teria muita dificuldade da gestão contratual com a Petrobras. Era uma condição para celebrar o contrato.  Você  não paga na celebração, você  paga durante, depois, durante a obra, mas você tinha que sinalizar a aceitação", declarou.

Leia também:
Lava Jato: guerra entre polícia e procuradores pode favorecer corruptos
Preocupado com avanço das acusações, PT dispara contra juiz da Lava Jato
Advogados pedem punição de juiz que abriu depoimentos da Lava-Jato

Dalton Avancini também confirmou que o pagamento de propina era "regra do jogo" para as empresas que tinham contrato com a estatal. "Existia um compromisso de 1% para a área de Abastecimento e 1% para a área de Serviços, e que esses valores se destinavam a partidos. Quem apoiava área de abastecimento era o PP e quem apoiava a área de Serviços era o PT", afirmou.

Os dois executivos assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e cumprem prisão domiciliar, monitorada por tornozeleira eletrônica.

Paulo Roberto Costa também fez acordo de delação premiada e cumpre prisão domiciliar. Renato Duque foi preso no mês passado na 12ª fase da Operação Lava Jato. A defesa do ex-diretor nega recebimento de propina no período em que ele comandou a Diretoria de Serviços.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.