Marta Suplicy e PT devem travar guerra por mandato no Senado

Por Anderson Passos - iG São Paulo |

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Especialista considera que decisão do Supremo que dá ao partido a preferência sobre o mandato pode prevalecer

A senadora e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy formalizou nesta terça-feira (28) sua saída do Partido dos Trabalhadores, pelo qual militou por 33 anos. A saída, no entanto, não se dá num clima amistoso.

Marta Suplicy, que deixou os quadros do PT
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Marta Suplicy, que deixou os quadros do PT

O PT deve reivindicar o mandato sob o argumento de que o mesmo pertence à sigla e não ao candidato, jurisprudência reconhecida inclusive pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando a Resolução 22610 de 2007 foi contestada na Corte.

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Marta, por sua vez, tentará se manter no Senado sob a premissa de que o PT alterou seu programa de governo e que foi discriminada pela sigla – pontos que a Justiça Eleitoral reconhece como argumento para a troca de legenda sem perda de mandato.

“O PT tem 30 dias após a desfiliação para ingressar no TSE [Tribunal Superior Eleitoral] e pedir o mandato”, esclarece o advogado eleitoral Alberto Rollo ao iG.

Rollo entende que a jurisprudência nesse momento pode favorecer o partido, já que o STF ratificou a Resolução 22610/2007 do TSE, que dá o mandato ao partido e não ao eleito.

“Para alegar que o PT mudou seu programa de governo, essa mudança tem que estar expressa no estatuto do partido. Algo como, grosseiramente falando, o 'PT deixou de defender a reforma agrária e apoiar o latifúndio'. Se isso não estiver escrito no estatuto, a alegação não vale”, explica.

O ponto mais forte em defesa do mandato pela senadora é o da discriminação. “Ela pode apresentar atas de reuniões e convenções, além de entrevistas de dirigentes do PT dizendo que ela não deve ser candidata à prefeitura de São Paulo, por exemplo. Só que essas provas você constroi ao longo de anos", observa  

O destino de Marta deve ser o PSB, do vice-governador de São Paulo, Márcio França. Os socialistas atraíram Marta sob a promessa de bancar sua candidatura à Prefeitura da capital. Ela aposta em suas bases populares para chegar ao segundo turno e voltar ao Palácio 9 de Julho.

Gota d’água

A reivindicação do mandato pelo PT teve uma gota d’água nessa semana. A entrevista concedida pela ex-senadora às páginas amarelas da revista "Veja" do último final de semana. Na entrevista, a senadora destilou críticas ao PT, à corrupção capitaneada pelo partido na Petrobras, passando por alfinetadas à gestão do petista Fernando Haddad na capital paulista e contra a falta de humildade da presidente Dilma Rousseff ao não admitir erros de seu governo.  Esse discurso, aliás, vem sendo adotado em artigos na imprensa desde o começo do ano.

Usando uma expressão popular, Marta se referiu ao governo insinuando em artigo que era preciso tirar “a vaca do atoleiro”. Na corrida presidencial, Dilma Rousseff disse que não mudaria as leis trabalhistas “nem que a vaca tussa”. Em 2015, o governo se debate com o apoio do Congresso a um projeto que regulamenta a terceirização em todos os níveis.

Informalmente, o PT atribui o comportamento de Marta à sua saída do Ministério da Cultura em novembro do ano passado.  Ela foi substituída por Juca Ferreira e destilou críticas ao sucessor. Também pesou contra as pretensões da senadora a preferência do PT em bancar a reeleição de Fernando Haddad em São Paulo.

A postura de Marta Suplicy gerou revolta na militância. Nas redes sociais palavras como “oportunista” e “vaidosa”, são recorrentes.

O ex-deputado estadual do PT e militante dos Direitos Humanos Adriano Diogo disparou que “Marta endireitou em todos os sentidos (menos no caráter, quesito em que zerou). Marta foi uma grande prefeita, mas sua vaidade sempre foi maior que seu caráter. Sua trajetória mostra a decadência moral de uma pessoa movida pela inveja e pela vaidade ferida. Terminar nas páginas amarelas da Veja é uma coroação da traição”, escreveu em sua página numa rede social.

Presidente municipal do PT em São Paulo, o vereador Paulo Fiorillo disse que ao se desligar do PT, a senadora "materializa as posturas que vinha verbalizando". Ele sinalizou que a Executiva municipal vai se reunir no próximo dia 4 de maio e o assunto estará na pauta. 

Questionado sobre o risco de mais colegas deixarem o partido, Fiorillo registrou que "tem ouvido muitas manifestaçõs críticas à atitude da senadora. "Não vi ninguém apoiando, muoto pelo contrário", assinalou.

O dirigente do PT paulistano se esquivou de comentar a reivindicação de mandato pelo partido. "Essa questão de pedir o mandato não está posta. Precisa ver o estatuto para saber qual esfera poderá fazer isso", finalizou. 


 

 

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