Manual que aponta tatuagens que seriam próprias de bandidos foi editado na administração do atual ministro da Defesa, Jaques Wagner

Tatuagens de gnomos significam usuário de drogas, desenhos de palhaços identificam ladrões. Ter Nossa Senhora Aparecida tatuada nas costas denuncia um estuprador. Se for na perna, um latrocínio. Todas essas indicações constam em uma cartilha, editada em 2012 pelo governo da Bahia e distribuída aos policiais militares como orientação de trabalho.

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A cartilha foi apresentada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados, destinada a apurar o genocídio de jovens negros no Brasil, durante a reunião destinada a ouvir familiares de 12 mortos na chacina ocorrida no início deste ano no bairro Cabula, na periferia de Salvador, em uma ação da polícia militar da Bahia.

A cúpula da CPI tem sido criticada por resistir em convocar autoridades tanto da esfera federal, como dos estados, para prestar esclarecimentos sobre as práticas implementadas na área de segurança pública.

Durante a parte da reunião destinada a ouvir familiares de vítimas de violência no Cabula, o coordenador da organização Reaja ou Será Morto, Hamilton Borges, apresentou uma cartilha que foi editada durante a gestão do atual ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT).

O manual lista uma séria de tatuagens que seriam “próprias de bandidos” e que deveriam servir de sinais para as investigações policiais.

Este manual, elaborado por um integrante da polícia baiana, foi publicado Secretaria de Segurança e distribuído aos demais policiais militares da Bahia.

Veja as tatuagens:

Entre as orientações contidas na cartilha estão a de que tatuagens de Nossa Senhora Aparecida, podem representar “latrocida, estuprador, ou mesmo fé/proteção”.

Outra orientação do manual aponta que maioria das tatuagens de palhaço indica ligação com roubo. “São extremamente perigosos. Portadores desta tatuagem demonstram frieza e desprezo pela própria vida”, orienta a cartilha.

Borges ainda indicou crimes cometidos por policiais com base em tatuagens das vítimas de símbolos de religiões de matrizes africanas, como um menino, morto na Bahia, devido a uma tatuagem de Oxossi na panturrilha. Esse tipo de tatuagem representaria matadores de policiais.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) cobrou apuração por parte da comissão de práticas incentivadoras da violência policial cometidas pelos governantes.

 “Isso indica como é a formação de nossa polícia. Uma polícia que foi formada durante a ditadura, que teve uma formação para matar. O que se tem aqui é a tatuagem, mas nós sabemos que antigamente, se tinha um negão com uma calça boquinha ia preso. Se tinha um black power , ia preso. Se estava sem camisa, ia preso. Numa rua escura, dois negrões juntos, vão presos”, comentou a deputada.

A deputada ainda apontou a necessidade de chamar as autoridades responsáveis nos estados para falar sobre as orientações repassadas. “É preciso que aqui a gente relaxe para fazer com Justiça. Senão a gente vai ficar aqui em um debate entre nós. Um debate perverso. Isso aqui é o secretário de segurança que promoveu”, apontou, referindo-se à cartilha.

Clique aqui e veja a cartilha das tatuagens completa

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