Senadora encaminhou ofício nesta terça-feira às instâncias municipal, estadual e nacional; PT pode reivindicar mandato

Depois de 33 anos de militância, a senadora Marta Suplicy encaminhou nesta terça-feira (28) um ofício onde comunica às instâncias municipal, estadual e nacional que está deixando o Partido dos Trabalhadores. 

Marta Suplicy deve ir para o PSB, partido que deve bancar sua candidatura à prefeitura de São Paulo
Leo Franco / AgNews
Marta Suplicy deve ir para o PSB, partido que deve bancar sua candidatura à prefeitura de São Paulo

Leia mais:

Em festa de aniversário, Marta confirma saída do PT após 34 anos de militância

Marta Suplicy critica nomeação de Juca Ferreira como ministro da Cultura

Emsua página no Facebook, Marta deixou a seguinte mensagem.

"Eu ajudei a fundar o PT há mais de trinta anos. E me orgulho de ter lutado para melhorar a vida dos brasileiros mais pobres que nunca tiveram chance neste país. Mas o PT acabou se desviando do caminho certo e se contaminando com o poder. Eu quero dizer hoje a vocês que eu não me desviei dos valores que meus pais me ensinaram e que eu ensinei aos meus filhos. Que eu não me desviei da luta por um país mais justo. E que por essas razões, eu deixo hoje o partido. Não para desistir do caminho que iniciei há trinta anos. Mas para continuar a segui-lo".

A íntegra da carta de quatro páginas que ela dirigiu ao partido está sob os cuidados de advogados do PT, que definirão as providências a seguir. Marta deve divulgar o documento ainda nesta terça-feira (28) em suas redes sociais.

O destino da senadora deve ser o PSB. A expectativa, no entanto, é que a senadora e sua antiga casa partidária abram uma guerra pelo mandato de Marta, eleita em 2010 para o Senado Federal.  

O destino será o PSB, do vice-governador de São Paulo, Márcio França. Os socialistas atraíram Marta sob a promessa de bancar sua candidatura à prefeitura da capital. Ela aposta em suas bases populares para chegar ao segundo turno e voltar ao Palácio 9 de Julho – sede da prefeitura paulista.

Gota d’água

A entrevista concedida pela ex-senadora às páginas amarelas da revista Veja do último final de semana foi mais uma queda de braço entre a senadora e o PT. Na entrevista, a senadora destilou críticas à sigla, aos sucessivos escândalos de corrupção capitaneada pelo partido na Petrobras, passando por críticas à gestão do petista Fernando Haddad na capital paulista e contra a falta de humildade da presidente Dilma Rousseff ao não admitir erros de seu governo.  Esse discurso, aliás, vem sendo adotado em artigos na imprensa desde o começo do ano.

Usando uma expressão popular, Marta se referiu ao governo insinuando em artigo que era preciso tirar “a vaca do atoleiro”. Na corrida presidencial, Dilma Rousseff disse que não mudaria as leis trabalhistas “nem que a vaca tussa”. Em 2015, o governo se debate com o apoio do Congresso a um projeto que regulamenta a terceirização em todos os níveis.

Informalmente, o PT atribui o comportamento de Marta à sua saída do Ministério da Cultura em novembro do ano passado.  Ela foi substituída por Juca Ferreira e destilou críticas ao sucessor. Também pesou contra as pretensões da senadora a preferência do PT em bancar a reeleição de Fernando Haddad em São Paulo.

Até o momento, o PT não se manifestou oficialmente sobre a saída da senadora Marta Suplicy. 


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.